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quarta-feira, 8 de junho de 2016

07 - B R A S I L * Dilma Rousseff



O afastamento da presidente Dilma Rousseff

Uma reflexão crítica pela esquerda

Posted on 23 de maio de 2016

“A meta não é apenas a retirada da presidente Dilma e sim desmontar a rede de garantias constitucionais para a saúde, educação, direitos de 4ª geração e o mundo do trabalho”, escreve Bruno Lima Rocha, professor de ciência política e de relações internacionais.



Eis o artigo.

O Senado concluiu por volta de 6h30min da manhã de 12 de maio de 2016 um golpe branco, perfeitamente orquestrado, afastando a presidente reeleita Dilma Rousseff, por 55 votos a favor do afastamento contra 22 pela manutenção no cargo. Com esta votação, o PMDB chega ao poder pela terceira vez de forma indireta. Antes com Tancredo Neves e José Sarneyem 1985, no retorno de Itamar Franco para a legenda de Ulisses Guimarães em 1992 após o impeachment de Fernando Collor de Mello e agora com Michel Temer assumindo o Planalto por ter sido reeleito na mesma chapa da ex-guerrilheira.

Dilma recebera 54 milhões de votos em 2014 e trazia consigo o vice-presidente eleito com ela em 2010, através de uma aliança defendida ainda no governo pelo ex-ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu de Oliveira e Silva em 2005 e ampliada pela hoje presidente afastada quando a mesma fora indicada para a pasta antes ocupada pelo ex-todo poderoso capa preta da legenda petista.

Agora estamos diante de um novo ministério, enxuto, um típico pacto oligárquico com o capital financeiro e abalado pelo neoliberalismo vende pátria e gorila, a exemplo de Maurício Macri – presidente menemista eleito na Argentina – tal como o cinismo do Partido Democrata com Barack Obama à frente. Constatações a parte, é necessário observar o nefasto papel para as esquerdas através do pacto lulista (hoje moribundo), papel este protagonizado pelo PT nos últimos treze anos e acima de tudo por seu líder político e cabo eleitoral, o ex-sindicalista, que segundo o próprio, nunca foi de esquerda.

Não se trata de coerência livresca ou buscar a perfeição de um discurso intelectual (ou intelectualóide) estéril e distante das realidades sociais. É justo ao contrário. Afirmo aqui que morre e deixa-se de matar de ilusão endêmica quem crê fielmente nas instituições da legalidade burguesa e mais ainda, em uma base política mercenária e de direita. Nas palavras que seguem, trago uma coletânea das análises dos últimos dias de governo Dilma. A coerência, repito, é no sentido de provar teórica e analiticamente, a viabilidade do poder do povo por em cima das traições estruturais – como a crença inexorável no pacto de classes – e das eternas promessas da democracia – mesmo que liberal e de procedimentos – que não cabem no capitalismo e menos ainda são toleráveis pelo andar de cima e pelos EUA para nossa América Latina.


A ex-guerrilheira do triste discurso

No triste discurso de Dilma Rousseff, a presidente enumera suas dores, todas respeitáveis. Mas, sinceramente, o que mais dói é ver uma ex-guerrilheira ser derrubada por uma base de direita com a qual ela própria aceitou como aliada de conveniência.

Isso é o que mais dói ex-companheira, o que mais dói é ver ao teu lado discursando na partida de governo uma defensora da flexibilidade do trabalho escravo; o que mais dói é ver a ex-esquerda transformando-se em caricatura de republicanismo e legalismo burguês.

A democracia é reivindicável, mas não esta fábrica de traidores de classe ou cleptocratas a serviço do capital. A democracia é a fonte de poder legítimo e não pode caminhar distante da igualdade social e a distribuição de renda e poder.


Na véspera do golpe no Senado, O Globo assassina a economia política brasileira


Na matéria intitulada “A soma de todos os erros: Dilma abriu buraco fiscal e comprometeu ganhos sociais: com estímulos artificiais, Dilma deixou PIB retroceder ao nível de cinco anos atrás” (assinada por Flávia Barbosa, em 11 de maio de 2016) , O Globo prova de onde vem, traça um libelo anti-desenvolvimentista, mente descaradamente ao associar a expansão dos gastos públicos apenas com às políticas de subsídio a indústria e a agroindústria, e não se comprometendo com a rolagem da dívida pública interna e os ganhos absurdos da agiotagem oficial. A expansão dos gastos cometeu, segundo os economistas consultados – poderia dizer os neoliberalóides consultados – na matéria, como “pecado keynesiano” ou algo semelhante.

Não há como manter política de crescimento econômico, mesmo auxiliando o capital atuando no Brasil, sem romper as amarras do rentismo. É simples, de tão simples, ninguém fala o óbvio. O Globo omite a relação causal mais importante, logo, ao omitir o mais relevante, MENTE.

Para concluir o mesmo enfoque na matéria; aliás, para concluir, em rede nacional, Miriam Leitão (na manhã do Golpe no Senado) disse o mesmo no telejornal Bom Dia Brasil: “o maior problema, a maior expansão dos gastos não foi com as políticas sociais e sim com o apoio a indústria e a agroindústria!”. Pecado keynesiano, tardio, tímido e sem contar com o apoio incondicional do empresariado brasileiro que, aliás, não hesitou em puxar o tapete da presidente assim que pôde. Ninguém mandou a ex-esquerda acreditar no pacto de classes.


A farsa da farsa

Alegam querer derrubar um governo “populista e bolivariano” (ai quem dera! especialmente o segundo); para tal criminalizam oPlano Safra, criminalizam repasses do governo Central para garantir suas políticas, o Congresso autoriza a expansão da meta fiscal e depois puxa o tapete; aceitam por motivo de vingança política um processo de impeachmentescrito por uma tucana, um tucano e um recalcado serrista, o Senado indica um relator tucano e que cometera os mesmos “crimes” que ele relata como crime; na Câmara 298 deputados que são acusados por crimes contra a Justiça aprovam a admissibilidade e agora 58 senadores de 81 que também estão com o seu na reta fazem o mesmo.

Querem derrubar os maiores entusiastas do capitalismo brasileiro, a começar por Lula, que de tão crente no capitalismo nacional resolveu crer e se misturar com os capitalistas daqui. Luiz Inácio se mistura com quem não devia, perdeu o rumo no pertencimento de classe e viu, sob o nariz do Palácio do Planalto, os Estados Unidos e seus sistemas de espionagem deitarem e rolarem no Brasil nos últimos cinco anos. Resultado:

– a cleptocracia a mando do capital transnacional vai cortar na própria carne (com as empreiteiras) e derrubar o governo que mais defendeu o capital nacional e traiu a dimensão combativa da esquerda.


Estamos em 2016, mas poderia ser 1954.

PT, onde está o populismo?

Proponho uma reflexão em forma de contabilidade de chegada: ou como o lulismo acabou com o que restava de combatividade no PT e assumiu o pacto de classes como única saída. Gente, vamos fazer contas? 44 milhões de beneficiados nos programas sociais. 10% deste total dão em 4,4 milhões de brasileiros e brasileiras. 1% dá em 400 mil pessoas. Se o PT organizasse como força “populista” um em cada 100 beneficiados de seus programas, teria um poder de veto sobre a base mercenária no Congresso e o pacto com os oligarcas. Se tivesse um organizador social em cada base de 100 beneficiados poderia contar com força de mobilização permanente, a exemplo do que faz o “populismo” em toda a América Latina que leve a sério este conceito, com o qual também não concordo integralmente. É por isso que esta palhaçada de golpe branco, de golpe paraguaio não anda na Venezuela.

Aqui foi tudo ao contrário. Preferiram nada fazer e confiar na sorte ou no destino ou em qualquer pensamento mágico. É por isso que Maduro não cai à toa. Porque o chavismo – para o bem ou o mal – organizou uma parcela razoável de sua base social beneficiada e aplica esta força como poder de veto por cima dos oligarcas e vende pátria. Populismo é isso; e é menos pior do que o pacto de classes sem poder de veto. Não foi por falta de aviso.


Última reflexão na tarde infeliz durante o golpe no Senado

Breve reflexão. Trata-se de golpe semiparlamentarista. A meta não é apenas a retirada da presidente Dilma e sim desmontar a rede de garantias constitucionais para a saúde, educação, direitos de 4ª geração e o mundo do trabalho. Foi alimentado por uma conspiração de Estado (república de Curitiba), com o apoio do PIG (quando a Globo derrubou sua grade na tarde de domingo 13 de março e quando da difusão da conversa privada da presidente com o alvo das investigações) e com rios de dinheiro para os neoliberalóides através da Fundação Koch e da Rede Atlas (já provei isso várias vezes). Logo, há um rombo de lealdade no aparelho de Estado, e se eu sei, a Abin sabe e as parcelas da PF que não conspiraram também sabem. Assim, se eu fosse um inocente útil de credo legalista e republicano, ficaria em depressão. Como tenho formação analítica e intensão estratégica, afirmo: governo ilegítimo algum aprova medidas antipopulares com facilidades. Tem muita luta pela frente, cai o lulismo, cai a pelegada, mas os direitos coletivos seguem inegociáveis.

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/554971-o-afastamento-da-presidente-dilma-rousseff-uma-reflexao-critica-pela-esquerda

quinta-feira, 2 de junho de 2016

07 - B R A S I L * Prémio Camões 2016

Raduan Nassar é o vencedor do Prémio Camões 2016

É o 28.º autor, e o 12.o brasileiro a receber aquele que é considerado o mais importante prémio literário destinado a autores de língua portuguesa.

"Através da ficção, o autor revela, no universo da sua obra, a complexidade das relações humanas em planos dificilmente acessíveis a outros modos do discurso", justificou o júri, acrescentando que "muitas vezes essa revelação é agreste e incómoda, e não é raro que aborde temas considerados tabu". O júri realçou ainda "o uso rigoroso de uma linguagem cuja plasticidade se imprime em diferentes registos discursivos verificáveis numa obra que privilegia a densidade acima da extensão".Com apenas três livros publicados – os romances Lavoura Arcaica (1975) eUm Copo de Cólera (1978) e o livro de contos Menina a Caminho (1994) –, a exiguidade da obra não impede que Raduan Nassar seja há muito considerado pela crítica um dos grandes nomes da literatura brasileira, ao nível de um Guimarães Rosa ou de uma Clarice Lispector.

Se a singularidade de Nassar lhe garantiu desde cedo um círculo de admiradores fiéis, e se os seus romances alcançaram algum sucesso internacional já na primeira metade dos anos 80, quando foram traduzidos para francês, espanhol e alemão, a popularidade da sua obra aumentou significativamente com a adaptação cinematográfica de Um Copo de Cólera, em 1999, numa realização de Aluizio Abranches, e de Lavoura Arcaica, em 2001, num filme de Luiz Fernando Carvalho.

Já este ano, Raduar Nassar foi um dos 13 escritores escolhidos para a longlistdo Man Booker International Prize, com a tradução inglesa de Um Copo de Cólera, mas não chegou à lista de seis finalistas, que incluiu o angolano José Eduardo Agualusa.

Em Portugal, Raduan Nassar só começou a ser publicado em 1998, quandoUm Copo de Cólera saiu na Relógio D'Água, que logo no ano seguinte editou também Lavoura Arcaica. No ano 2000, a Cotovia publicou Menina a Caminho e outros Contos.

Mas se a sua obra só chegou no final dos anos 90, o escritor visitou Portugal pouco após o 25 de Abril. Almeida Faria contou a história em 2014, na Festa Literária Internacional de Paraty. Corria o conturbado ano de 1975, quando o romancista português ouviu tocar a campainha da sua casa de Lisboa. À porta estava um jovem casal desconhecido. Perguntaram se podiam entrar e ele apresentou-se como escritor brasileiro. Trazia na mão um livro, Lavoura Arcaica, e disse ao escritor português: “Este meu livro saiu agora no Brasil, e como eu acho que ele deve muito ao seu livro A Paixão, quis vir oferecer-lhe o livro pessoalmente”. Faria e Nassar tornaram-se amigos desde então.

Nassar é conhecido pela extrema raridade das suas aparições públicas, o que veio conferir um peso particular à sua presença, junto de Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto em Brasília, a 31 de Março, num Encontro com Artistas e Intelectuais em Defesa da Democracia. "Os que tentam promover a saída de Dilma arrogam-se hoje, sem pudor, como detentores da ética mas serão execrados amanhã", afirmou então, citado pela Folha de S. Paulo. Embora o reconhecimento da qualidade do autor seja francamente consensual, esta sua recente intervenção vem também dar à sua escolha para o prémio Camões deste ano uma inevitável dimensão política.

Com um valor pecuniário de cem mil euros, o prémio foi anunciado ao fim da tarde no Hotel Tivoli pelo secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, após a reunião do júri, que este ano incluiu a professora e ensaísta Paula Morão e o poeta e colunista Pedro Mexia, os professores universitários, críticos e escritores brasileiros Flora Süssekind e Sérgio Alcides do Amaral, e ainda o autor moçambicano Lourenço do Rosário, reitor da Universidade Politécnica de Maputo, e a ensaísta são-tomense Inocência Mata, actualmente radicada em Macau.
Um lado secreto

Raduan Nassar foi informado de que lhe tinha sito atribuído o prémio no valor de cem mil euros por Miguel Honrado. Ao telefone, ter-se-á mostrado “surpreendido e satisfeito”, contou ao PÚBLICO o presidente do júri, Sérgio Alcides do Amaral. “Ele é muito recluso, mas uma pessoa simples. Não é recluso por arrogância. Espero que possa ter um público maior agora”, sublinhou.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

07 - B R A S I L * Que Presente? Que Futuro?


O PT, O IMPEACHMENT E A PREVIDÊNCIA



Posted on 31 de maio de 2016
Ronald Barata*


O grave momento por que passa o Brasil e grande parte do mundo, com substancial avanço da direita, aceleramento da rapinagem das riquezas dos países periféricos pelos países ricos e muitos conflitos, devem nos conduzir a reflexões, para se obter clareza das causas dessa situação e como as esquerdas que não se prostituíram devem atuar e com quem se aliar.

Em primeiro lugar, embora sabido, é bom relembrar: há um poder maior, e não apenas os EUA, de abrangência mundial, que manipula diversos governos, inclusive no Brasil, através de instituições multilaterais como FMI, Banco Mundial, BIS ( o banco central dos bancos centrais), OTAN, Comitê dos 300, Grupo Bilderberg, Tratados e Organizações regionais como OEA, PDSC etc.,os grandes órgãos de mídia e muitos outros aparelhos. E a corrupção. Mudam as convicções e atuação de vários partidos e personalidades de esquerda e submetem governos.

Almejo fazer algumas observações sobre as esquerdas no Brasil, iniciando pelo Partido dos Trabalhadores, por ser o maior e dominar grande parte de organizações sociais, de governos municipais e estaduais. Apesar de encontrar-se em situação muito difícil, agravada com o afastamento da presidente Dilma.

Esse partido nasceu com a compilação de diversas doutrinas e ideologias. As principais, a Igreja Católica e as variações marxistas do leninismo, trotskismo e gramscismo, que moldaram o estatuto e o Manifesto de fundação do partido, claramente revolucionários. E outros grupos de menor expressão: socialdemocratas, maoístas, nacionalistas, anarquistas, morenistas, foquistas etc.

As diferenças são claras: A doutrina social da Igreja Católica (encíclicas etc.) não é revolucionária, mas, em muitas fases, positivamente reformista e progressista.

O leninismo visa à tomada do estado, implantar o socialismo e mudar a sociedade. O gramscismo busca, num sistema de alianças, educar o proletariado, torná-lo uma força política e realizar a revolução.O trotskismo prega todo o poder às organizações de base e a revolução permanente. Grupos da luta armada contra a ditadura e sindicalistas participaram da fundação do Partido.

Portanto, uma diversidade muito grande e permanentes embates e disputas internas. Mas, era um partido radical em defesa de seus princípios, em um país com tradição de conciliação e conchavos de cúpulas. Ganhou o apoio dos movimentos sociais.

Porém, como ensinou Marx, vou à análise concreta da situação concreta.

O PT não votou em Tancredo Neves em 1985; não votou a favor da Constituição de 1988 e recusou-se a assiná-la; rejeitou o apoio do PMDB no segundo turno das eleições de 1989 e de outros “partidos burgueses”.

Não seguiu a lição das CEBs, nem de Lenine, Trotsky ou Gramsci. Uma confusão. Porém, coerente em um radicalismo que conquistou várias camadas da sociedade.

O TRANSFORMISMO

Todavia, na década de 1990 já iniciava mudanças expressivas. O Congresso de 1991 sinalizava a mudança. Expulsou a Convergência Socialista (hoje PSTU) e seguiram-se outras. A CUT, em 1992, filiou-se à CIOLS-Central Internacional das Organizações Sindicais Livres, braço sindical da CIA. Após a fusão com a central democrata cristã, a CIOLS passou a denominar-se Central Sindical Internacional e é presidida, em Bruxelas, pelo ex-presidente da CUT, Antônio Felício. Segue o sindicalismo norte-americano.

Em 1995, narra o mestre Milton Temer, a Comissão de Ética do PT, formada por Paul Singer, Hélio Bicudo e José Eduardo Cardoso, para apreciar graves denúncias de desvio de dinheiros das prefeituras pelo grupo de Lula, condenou os denunciantes e não os denunciados.

Mas, só a partir de 2002 tornaram-se claras as transformações. A Carta ao Povo Brasileiro explicitou a submissão ao Grande Capital, comprometendo-se com garantias ao Mercado, isto é, adesão ao neoliberalismo. Aí, começou o lulismo, que impôs ao partido alianças espúrias, conciliou com partidos e políticos reacionários e corruptos e sucumbiu à corrupção. Para compensar, o governo Lula implantou políticas de mitigação da pobreza visando a reduzir as desigualdades sociais, no que foi exitoso.

Em novembro de 2002, Lula já eleito, mas ainda não empossado, participa de reunião, em Washington, com George Bush, filho, e, ao sair, dirige-se a um hotel e anuncia a entrega do Banco Central ao banqueiro internacional Henrique Meirelles, que acabara de eleger-se deputado federal pelo PSDB.

Obediência ao Grupo Bilderberg que Bush é expoente.

Voltando ao Brasil, passa um final de semana na fazenda, em Araxá, da família Moreira Salles, testa de ferro da multinacional Molycorps que explora nióbio naquela cidade. Aprofundou-se a rapinagem do estratégico mineral, a maioria de graça, inclusive em Catalão-GO e no Pará, que permanece até hoje.

Em 2004, assina o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, que Geisel denunciara em 1974. Em 2009, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, autorizado por Lula, assina novo Acordo Militar, com o mesmo país.

A partir de 2005, devido ao escândalo do mensalão, perdeu o apoio da classe média, mas ganhou a adesão de camadas da população de baixíssima renda. Já possuía capilaridade devido ao aparelhamento dos sindicatos e outros movimentos sociais, das prefeituras e estados que governava e cresceu mais.

Criou uma burocracia sindical e estudantil, chapa branca. Beneficiou-se de uma conjuntura econômica mundial favorável e passou a ser o partido dos pobres, que votam maciçamente no PT. Transferiu renda da classe média, sem taxar as grandes fortunas, as heranças e não fez a Reforma Tributária. Privilegiou a financeirização da economia. “Nunca, nesse país, os banqueiros ganharam tanto dinheiro”.

Recebeu doações multimilionárias, das empreiteiras, dos banqueiros e do agronegócio, institucionalizando a corrupção. Favoreceu os grupos econômicos e promoveu inclusão social através do consumo e da massificação do crédito. O Mercado era hegemônico no governo, ocupando os principais postos na máquina. Por isso, Obama chamou-o de “O CARA”.

Essa política continuou no governo Dilma, que até entregou o Ministério da Fazenda a um diretor do Bradesco e habituée da Casa das Garças, Joaquim Levy, apesar de Lula preferir o banqueirão internacional Henrique Meirelles. A vontade de Lula foi atendida pelo presidente interino. Coincidência?

Além do banqueiro, Dilma colocou no ministério a representante das multinacionais do agronegócio Kátia Abreu, o representante do grande capital industrial Armando Monteiro, presidente da CNI, e continuou a promiscuidade com Collor, Sarney, Jader, Renan e até Eduardo Cunha, e vários partidos fisiológicos. Aumentou os juros, inchando a dívida pública. Beneficiou a quem?

Segundo o MST, foi o governo que menos fez assentamentos, mas permitiu a expansão das fronteiras das terras da Bayer, da Monsanto, da Syngenta, Ajinomoto, Nestlé, Cargil etc. Permitiu a disseminação de transgênicos.

Sem contar o golpe das promessas na campanha eleitoral e a realidade uma semana após empossada.

Os governos do PT não acrescentaram nenhuma conquista, nenhum novo direito para os trabalhadores. Ao contrário, Lula fez a reforma previdenciária no serviço público federal, nos moldes da que FHC fizera para os do INSS, e acrescentando perdas para as pensionistas.

Não considerou várias lições históricas, de que quem faz acordo ou conchavo com a burguesia, INVARIAVELMENTE, após usado, é descartado.

Ressalvadas as costumeiras exceções, principais quadros dirigentes mostraram-se não apenas imorais, mas amorais, quando buscam justificar o recebimento de propina como “corrupção altruísta”, para atender as camadas pobres da população. Na verdade, são Robin Hood ao contrário, transferindo fábulas de dinheiros da classe média para o Mercado. Um Mercado nacional formado por cerca de 5 mil magnatas.

Tudo isso desgastou profundamente o partido, que passou a ser repudiado pela sociedade, e propiciou grande crescimento da Direita que, capitaneada pela Rede Globo, culminou prescindindo dos desmoralizados cooptados e colocou no governo seus próprios quadros.

Por tudo isso e muito mais, as esquerdas, os partidos e os Movimentos que não se corromperam devem se unir e aproximarem-se da grande massa, que sabe ter sido enganada, para combater as medidas reacionárias do governo provisório. Porém sem a ilusão de que podem contar com aliança com os partidos “de esquerda” que se promiscuíram, o PT, o PDT e o PCdoB. E muita cautela com os pelegos das centrais sindicais que abandonam a luta a qualquer momento, passando para o outro lado.

Por isso, devemos iniciar imediatamente a luta contra a reforma da previdência, a volta do ministério específico e a participação de empregados, empregadores e aposentados na gestão dos organismos previdenciários. Luta em defesa da previdência social, sem pendurucalhos, que atraia ativos e aposentados, admitindo-se apenas temas trabalhistas e com entidades sérias como a ANFIP, Sindicatos dos Auditores Fiscais da Previdência Social, as de esquerda que não se corromperam e as várias entidades de aposentados.

É a minha opinião.

Em 22 de maio de 2016
RONALD SANTOS BARATA
aposentado

*Ronald Barata foi Presidente do Sindicato dos Bancários do RJ, de 1985 a 1988

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

07 - B R A S I L * Josué de Castro


Josué de Castro * Médico e pesquisador brasileiro


Josué de Castro (1908-1974) foi médico, pesquisador e professor brasileiro. Pesquisou os problemas da fome e da miséria no Brasil. Realizou conferências e estudos sobre a fome em vários países. Foi professor em diversas universidades no Brasil e da Universidade de Vincennes, na França.

Josué de Castro (1908-1974) nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 5 de setembro de 1908. Filho de Manoel Apolônio de Castro, proprietário de terras, e de Josepha Carneiro de Castro, professora, de família de classe média vinda do sertão do Estado. Fez seus primeiros estudos em casa, com sua mãe. Foi aluno do Colégio Carneiro Leão e depois ingressou no Ginásio Pernambucano. Foi para o Rio de Janeiro estudar Medicina na Faculdade Nacional de Medicina do Brasil, onde permaneceu durante seis anos.

Em 1929, já formado, volta para o Recife, preocupado com as condições de saúde da população. Encontrou a cidade num período de agitação política pela campanha da Aliança Liberal e pela Revolução de 30. Manteve-se longe da militância político-partidária. Desenvolveu trabalhos de pesquisas em problemas ligados à alimentação e habitação, em diversos bairros operários da capital pernambucana.

Seus estudos o levaram a descobrir que a fome era uma verdadeira catástrofe social. Era contra a afirmação de alguns estudos que admitiam que a fome era decorrente das condições físicas, climáticas e étnicas. Concluiu que o desnível social resultava das estruturas econômicas e sociais impostas no período colonial e mantidas nos períodos Imperial e Republicano. Em 1932, escreveu o livro "Condições de Vida das Classes Operárias do Recife". Era professor de Fisiologia na Faculdade de Medicina do Recife.

Após a Revolta Comunista de 1935, Josué transferiu-se para o Rio de janeiro, lecionou Antropologia na Universidade do Distrito Federal e realizou trabalhos em missões do governo federal. Em 1936, publicou o livro "Alimentação e Raça". Em 1939, é convidado oficial do governo italiano para realizar conferências nas universidades de Roma e de Nápoles, sobre "Os Problemas de Aclimatação Humana nos Trópicos.

Josué de Castro passou a trabalhar, a partir de 1940, no Serviço de Alimentação e de Previdência Social (SAPS), e fundou a Sociedade Brasileira de Alimentação. Foi convidado oficial de vários países para estudar os problemas de alimentação e nutrição, esteve na Argentina em 1942; Estados Unidos, em 1943; República Dominicana e México, em 1945 e França em 1947.

Em 1946, publicou o livro "Geografia da Fome". Em 1951, Josué foi eleito presidente do Conselho da Food and Agricultural Organization (FAO), passando a viajar por vários países e visualizar os problemas da fome, sobretudo nos países sub-desenvolvidos. Suas idéias foram publicadas no livro "Geopolítica da Fome", em 1952.

Josué de Castro foi deputado federal por Pernambuco, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, de 1954 a 1958 e de 1958 a 1962. Nesse último ano, foi designado embaixador do Brasil na Conferência Internacional de desenvolvimento, em Genebra, na Suíça. Em 1964, o presidente João Goulart foi deposto por um golpe militar, e Josué teve seus direitos cassados, perdendo o cargo de embaixador.

Exilado, transferiu-se para Paris, onde foi nomeado professor de Geografia da Universidade de Vincennes, onde desenvolveu pesquisas e viajou para diversos países da Europa, África e América Latina, que procuravam seu apoio.

Josué de Castro morreu em Paris, no dia 24 de setembro de 1974.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

16 - B R A S I L * Extrema-direita brasileira

Abrimos esta etiqueta num momento que nos reclama repensar esta «Europa connosco». Melhor teria sido criar condições de autêntica lusofonia, tal como fez a Grã-Bretanha, há muito. 
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Domingo, 12 de Outubro de 2014.
Por que a extrema-direita brasileira 
odeia tanto a Cuba?


Por João Batista no jornal A Verdade

É de se perguntar o porquê de tantos ataques a uma pequena ilha caribenha, nação onde vivem pouco mais de 11 milhões de pessoas (menor que a população do estado da Bahia) e cujo o Produto Interno Bruto – PIB representava US$ 72 bilhões em 2012 (o orçamento apenas da prefeitura de São Paulo é de US$ 25 bilhões) nas eleições presidenciais brasileiras.

A estratégia durante toda a campanha foi de jogar sobre o governo de Dilma a pecha de estar utilizando dinheiro público para financiar o governo cubano, através da construção do Porto de Mariel e da contratação de médicos para o programa Mais Médicos.  Via de regra, a candidatura de Dilma aceitava a crítica e não desmascarou o motivo de tanto ódio a Cuba por parte da extrema-direita.

A verdade é que o Porto de Mariel, a 40 km de Havana, é uma obra a mais financiada pelo BNDES. Outras obras similares foram financiadas em outros países como Equador e Angola. Longe de ajudar o socialismo, o objetivo dessa estratégia é fortalecer as empresas capitalistas nacionais, criando um mercado com os países de sul que possa suplantar a crise vivida pelos EUA e a União Europeia. O grande beneficiado com o porto de Mariel é mesmo a Oderbrecht, já que o financiamento do BNDES será pago pelo governo cubano.

No caso do Mais Médicos, programa paliativo para levar médicos às cidades do interior, a extrema-direita faz uso de duas mentiras. Primeiro, esconde que a vinda dos médicos estrangeiros só aconteceu após a recusa dos médicos brasileiros em trabalhar nos lugares ermos. A honrada classe médica chegou a afirmar que receber R$ 10 mil de salário é escravidão. Segundo, procuram explorar o fato de que grande parte dos salários dos doutores de Cuba serve para pagar seus estudos, ajudar a família e desenvolver o país deles. Escondem que o trabalho do médico fora das fronteiras nacionais é um ato voluntário, humanitário e social, como heroicamente fizeram os médicos cubanos no Haiti e, agora, nos países africanos atingidos pelo Ebola.

Ao caluniar Cuba, a extrema-direita procura colocar toda a esquerda brasileira em defensiva. Ao não defender as conquistas sociais cubanas, a esquerda perde em legitimidade e protagonismo para defender a justiça social no Brasil.

Por mais diferenças que se possa ter com o modelo de democracia ou de socialismo aplicado por Cuba, não se pode perder de vista que uma sociedade que priorize a justiça social ao invés do lucro é sempre melhor que qualquer regime capitalista. Quando nos calamos, parte da classe trabalhadora passa a repetir e acreditar nesses chavões repetidos a exaustão pelos representantes dos capitalistas, tornando mais difícil a luta por justiça social no Brasil.

Afinal, por que tanto ódio a uma pequena ilha?

Cuba é o exemplo de que é possível construir um caminho diferente. Mesmo cercada, embargada e perseguida pelo imperialismo nos terrenos econômico e político, o povo cubano permanece ostentando os melhores índices de desenvolvimento social, reconhecidos pelos organismos independentes da ONU. Já pensaram se se tratasse de um país rico em petróleo, fontes de energia naturais, com amplas florestas e fontes de minérios, ou seja, um país que tivesse condições geográficas e naturais de desenvolver a indústria e a técnica em níveis superiores?

Cuba é a prova viva de que a igualdade social é mais eficaz que o acúmulo de riqueza. Que a solidariedade é mais eficaz que o individualismo. Que a educação e a justiça social são as armas mais eficazes contra o crime e a violência. Que uma sociedade pode viver sem altos índices de consumos de drogas lícitas e ilícitas e, também, sem encarcerar sua juventude e seus pobres. Em resumo, Cuba é a prova viva que todo o discurso da extrema-direita é mentiroso e por isso precisa ser derrotada.

Não podemos esperar que o governo do PT defenda as ideias de Cuba pois seu interesse para com a ilha se resume a esfera dos negócios. É preciso devolver todo o ataque sofrido pelo povo cubano organizando o povo para lutar pelo programa da classe trabalhadora brasileira.

Postado por AF Sturt Silva 


(Republicamos com a devida vénia.)