sábado, 3 de dezembro de 2011

02 - POESIA VIVA * España / Espanha

Miliciano - Guerra Civil de Espanha (1936-39)


España!

No hagas caso de lamentos
ni de falsas emociones;
las mejores devociones
son los grandes pensamientos.
Y, puesto que, por momentos,
el mal que te hirió se agrava,
resurge, indómita y brava,
y antes de hundirte cobarde
estalla en pedazos y arde,
primero muerta que esclava.

***
Espanha!

Não te importem os lamentos
nem as falsas emoções!
As melhores devoções
são os grandes pensamentos.
E se, mesmo por momentos,
o mal que te dói se agrava,
ressurge indómita e brava!
Em vez de um render cobarde,
estala em pedaços e arde,
que antes morta do que escrava.

*


Nota:
Poema atribuído a Federico García Lorca. Foi por mim traduzido em 1969 e publicado, na mesma altura, na República das Letras e das Artes, suplemento semanal do jornal diário República. Este suplemento era dirigido pelo Poeta Alfredo Guisado, que fora amigo de Fernando Pessoa e seu companheiro na aventura do Orpheu, em 1915.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

08 - CIDADANIA * Os feriados

A questão dos feriados não poderá ser analisada com a leviandade que se anuncia e que prefigura uma ameaça grosseira à memória colectiva de um povo.

--- O 5 de Outubro não assinala, apenas, a implantação da República(1910); assinala, também, tanto quanto sei, a independência, no recuado século XII (1143);
--- O 1º. de Dezembro (de 1640) assinala a recuperação da independência perdida e não constitui qualquer afronta a Espanha;
--- O 14 de Agosto (de 1385), que deveria ser feriado e não é, vá lá a gente entender o porquê de tamanha desconsideração, assinala a manutenção da nossa condição de país independente;
--- O 10 de Junho assinala Camões e a pátria imortalizada n'Os Lusíadas;
--- O 25 de Abril (1974) assinala a recuperação da dignidade perdida.
Que querem matar, afinal?
Os nossos maiores coram de vergonha! É esta afronta que devemos ao seu denodo e à nossa identidade?
Indignado, aqui fica meu protesto.


José-Augusto de Carvalho
Viana (Évora)

Importante: Não se incluem no texto acima os feriados internacionalmente consagrados: o 1º. de Janeiro, o 1º. de Maio e o 25 de Dezembro, na certeza, se é que vivemos em tempo de certezas, de que não serão objecto de represália.
 
Nota: Desenho de José Dias Coelho, assassinado pela PIDE, n década de sessenta do século XX.

sábado, 26 de novembro de 2011

06 - ROMANCEIRO * O muro







Pedra a pedra, levantas o muro.
Tanto assim a discórdia apetece?
Deste lado do muro, depuro
cada dia que a vida amanhece.



Pinceladas de cor e feitiço
das manhãs a florir madrigais
na menina que atreve um derriço
e se esconde a mentir os seus ais…



E negando arrebois ao futuro,
pedra a pedra, levantas o muro…





Meio-dia! No sino da Igreja,
badaladas precisam as horas.
Uma açorda fumega na mesa.
Faltas tu! Por que tanto demoras?



E negando arrebois ao futuro,
pedra a pedra, levantas o muro…



Pela tarde, sufoca o braseiro
deste sol que encandeia e nos cresta.
Arrojado, quem é o primeiro
a gritar que este rumo não presta?



E negando arrebois ao futuro,
pedra a pedra, levantas o muro…



Num altar de esperança exaltante,
é a vida que grita e palpita
contra as iras do vento ululante
e bandeiras de fúria e vindicta…



E negando arrebois ao futuro,
pedra a pedra, levantas o muro…




 
José-Augusto de Carvalho
25 de Novembro de 2011.
Viana*Évora*Portuga

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

06 - ROMANCEIRO * Estes caminhos





Conheço ainda todos os caminhos

que cruzam estes campos malamados.

Aqui, eram mais densos os montados

e neles o temor fazia os ninhos…



Além, as limpas abrem horizontes

que foram já de pão e dura faina.

Ainda, abandonados, ermos montes

resistem ao torpor que não amaina.



No inverno, venta rijo e dói o frio.

No estio, o sol requeima sem piedade.

Deambula o tempo como um cão vadio

que, dócil, nem da fome já se evade…

 

E eu fico perguntando-me, obstinado,

que espero, aqui, inútil e parado?



 
José-Augusto de Carvalho
25 de Novembro de 2011.
Viana*Évora.Portugal

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

08 - CIDADANIA * Humor

Aqui fica esta sugestão aos três da vida airada e à troika...


In Almanaque Bertrand, 1908

terça-feira, 22 de novembro de 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

08 - CIDADANIA * A Crise


A lucidez é tanto mais necessária quanto mais difíceis são os tempos que vivemos. E difíceis são estes tempos! Os meios de comunicação social --- jornais, revistas, radiodifusão e radiotelevisão --- não nos dão tréguas. O diagnóstico está definido: crise!


E os responsáveis pela governação decidem enfrentá-la com medidas de grave austeridade: salários congelados; agravamento de impostos; perda de direitos; extinção de garantias, etc. Uma barbaridade!


Dizem alguns destes responsáveis ou seus afins que vivemos acima das nossas possibilidades e que é urgente corrigir tais excessos. Será assim?


Vejamos:


1- é reconhecido que mais de dois milhões de cidadãos vivem abaixo do limiar da pobreza;


2- é reconhecido que o desemprego vai nos 12% e com tendência para subir;


3- é sabido que o salário mínimo nacional é de 485 euros mensais;


4- diz o Instituto Nacional de Estatística, se a memória me não atraiçoa, que o salário médio é de 700 euros mensais.


Ponderando quanto antecede, quem vive, em Portugal, acima das suas possibilidades? Os dados objectivos demonstram estarmos perante uma falácia. Falácia mais grave por provir da área de quem tem a responsabilidade de determinar o nosso caminho colectivo.


É da sabedoria de todos nós a necessidade de analisar um problema. E essa análise começa por se tentar saber como surgiu e por que surgiu o problema. Causado por algum cataclismo natural ou por alguém? É fundamental conhecer-lhe a(s) causa(s) e, depois, combater-lhe os efeitos.


Um dado adquirido é o de que não foi o Povo Português quem provocou a crise e nem qualquer cataclismo natural. Assim sendo, por que motivo o Povo Português é convocado a pagar por um erro que não cometeu?


Os senhores da governação sabem disto e muito bem, mas a única solução que sabiamente encontram e impõem é a do castigo do inocente, logo a da impunidade do prevaricador.


Na área do Poder e fora dela há quem aponte outros caminhos. Debalde. Uma maioria acrescida, só porque legitimada pelo voto popular, considera legítimo sacrificar o Povo Português. Um desaforo!




José-Augusto de Carvalho
17 de Novembro de 2011.
Viana*Évora*Portugal