Nas estradas e encruzilhadas da vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
08 - CIDADANIA * Transporte ferroviário
O Poder Local
Garante a Constituição da República Portuguesa no seu Artigo 235º.:
1- A organização democrática do Estado compreende a existência de autarquias locais.
2- As autarquias locais são pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas.
O município de Viana do Alentejo está gravemente carenciado de transportes públicos.
O transporte ferroviário não existe desde os anos sessenta do século XX, quando a então CP decidiu desactivar as Estações de Viana e Alcáçovas. E, valha a verdade, essas mesmas estações, porque situadas longe das povoações, exigiam aos munícipes um transporte suplementar para a elas acederem. Transporte suplementar este que o município nunca assegurou.
Aguiar, bem distante de ambas as estações referidas, ainda mais penalizada viu os seus residentes. A esta distância no tempo, não sei precisar, nem sei se alguma vez soube, como os habitantes desta povoação procediam para beneficiarem do transporte ferroviário.
Vivia-se o tempo do Estado Novo, um tempo de desprezo pelos direitos e garantias dos cidadãos. Os que tiveram a desdita de vivê-lo saberão do que falo.
Mudados os tempos com a Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, seria expectável que o Poder Local exigisse a reactivação das estações ferroviárias, até porque a CP era uma Entidade Pública. Não o tendo feito, ratificou, por omissão, a decisão do Poder Totalitário de então.
Não deixa de ser estranha esta ambígua forma de exercer o Poder Local, naturalmente em oposição ao consagrado constitucionalmente.
Sabemos que o Poder Central privilegiou, muito mal, acentue-se, o transporte rodoviário, gastando o dinheiro que tinha e também o que não tinha em estradas e auto-estradas. Tal qual, como se a sua opção fosse a mais adequada em termos de custo-benefício.
Não está em causa o transporte rodoviário e a construção das estradas e auto-estradas efectivamente necessárias. O que está em causa e se verbera é a substituição a que se procedeu e em escala considerável.
Algumas interrogações:
1- Quanto custa ao Estado a construção de um km de estrada e de um km de ferrovia?
2- Quanto custa ao Estado a manutenção de um km de estrada e de um km de ferrovia?
Vamos fazer contas?
Mas há mais:
1- Quanto perdeu a Estado com a decisão governamental de alienar à iniciativa privada, ainda que parcialmente, até ver, o transporte de pessoas e mercadorias que garantia a CP?
2- Não entenderam os agentes governamentais que essa sua decisão afectou gravosamente a acção redistributiva do Estado, pois este, não tendo ganhos, não pode redistribui-los?
3- Entendem os agentes governamentais que dar garantias à iniciativa privada é desmantelar no todo ou em parte os Serviços Públicos?
4- Entenderão os agentes governamentais que a sua acção administrativa não é lesar o Estado, logo os cidadãos?
Voltaremos ao assunto.
Até sempre.
José-Augusto de Carvalho
Viana, 29 de Junho de 2012.
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08 - CIDADANIA * Biblioteca Municipal
(Durkheim)
Visito com assiduidade a Biblioteca Municipal. E, com natural apreensão, verifico não merecer este importante espaço a atenção e o interesse devidos.
José-Augusto de Carvalho
24 de Junho de 2012.
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08 - CIDADANIA * A minha pátria é a língua portuguesa
A minha pátria é a língua portuguesa. Esta celebrada frase de Fernando Pessoa será o melhor título para este registo. Com ela, o Poeta rasga horizontes próximos e distantes. Desde este cais inquieto, no extremo ocidental europeu, até aos confins do mundo a haver. Ou, como disse Camões, E se mais mundo houvera lá chegara.
Não sei se Portugal é uma pátria de poetas, mas é, seguramente, uma pátria muito amada pelos seus poetas.
Chegámos a todos os povos e com eles nos misturámos. Para nós, não há raças nem credos erguendo barreiras, há gente, há a humanidade toda, rica na sua pluralidade, única na sua singularidade. Por isso nos misturámos, por isso nos misturamos.
É esta herança que temos, lavada de sal e de inquietação, vestida de assombros e de naufrágios, cantada pelos desafios de antemanhãs enfeitiçadas e chorada pelos crepúsculos da talapagada e vil tristeza de que também nos fala Camões.
Estes Poetas e tantos outros filhos desta mesma pátria fizeram e fazem da língua portuguesa o seu altar e nele rezaram e rezam os seus poemas, poemas de amor e dor, de sonho e pesadelo.
No verbo destes Poetas não há a estreiteza nacionalista. Há, sim, a assunção duma identidade reconhecida desde há séculos. Uma identidade ferida aqui e ali por gente ou incauta ou desavisada. E para não sair desta minha terra natal, pois, saindo, mais encontraria, infelizmente, aqui fixo a vulgaridade deAbana Viana, a comunhão incompreensível de Viana Summer ou o inadequado Cinema dos avós.
Talvez este e outros reparos publicados ou a publicar neste meu espaço sejam ignorados ou tidos por irrelevantes. Que sejam! Tal não me levará a abdicar do direito à opinião.
Até sempre!
José-Augusto de Carvalho
23 de Junho de 2012.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
06 - ROMANCEIRO * Alentejo
Campo de papoilas
Foto Internet, com a devida vénia
«O Alentejo não tem sombra
senão a que vem do céu…»
Se tanta lonjura assombra,
mais assombra a tremulina
que cai, em dourado véu,
sobre o espanto da campina.
São os caminhos dos olhos
a rasgar os horizontes,
onde o «alecrim aos molhos»
perfuma a sede das fontes
e a ternura das cantigas
doira a fome nas espigas.
É esta raia de Espanha
acendendo a tentação
de buscar em terra estranha
o alor que leveda o pão…
Sonho roendo as entranhas
em dorida punição.
É esta angústia que canto
da promessa dum país,
é este parto de espanto,
nos desolados adis,
um manto que tudo cubra,
sangrando, em papoilas rubras.
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 22 de Janeiro de 2013.
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06 - romanceiro
domingo, 9 de dezembro de 2012
06 - ROMANCEIRO * Assombração
Caem noites nas sombras da insónia.
Solitárias, bocejam as ruas.
Erram
bruxas infrenes e nuas,
em febril e fatal cerimónia.
Doem ermos os
montes sombrios.
Uivam feras agouros danados.
Atrevidos, há répteis
alados
inventando cruéis desafios.
Fixamente, o insondável
medita.
O delírio das bruxas porfia.
É o mundo no fim, pressagia
a
crendice... e o lapuz acredita.
E o poeta, a cabeça meneando,
rosna,
incrédulo: oh, Povo, até quando?
José-Augusto de Carvalho
Lisboa,
8 de Dezembro de 2012.
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06 - romanceiro
sábado, 1 de dezembro de 2012
20 - CORREIO * Comunicado
Exmos. Leitores:
Alargando o meu espaço de intervenção, neste meu dever de cidadania
activa, indico os endereços de novos espaços:
http://vivoedesnudo.blogs.sapo.pt
http://temposdoverbo.blogs.sapo.pt
Aguardarei o favor de visitas e comentários, sempre decisivos para quem
comunica.
Até sempre!
Cordiais saudações
José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
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20 - correio
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
08 - CIDADANIA * Se...
1ª.- Serei eu um candidato esperado pelos meus concidadãos?
2ª.- O que esperarão de mim os meus concidadãos?
3ª.- O que poderei prometer (para cumprir) aos meus concidadãos?
Depois destas interrogações, outras três me colocaria:
1ª.- Que colectivo irei eu integrar?
2ª.- Quais os recursos disponíveis para ponderar o êxito da tarefa?
3ª.- Quais os recursos outros a desenvolver?
E depois destas, ainda mais cinco interrogações me colocaria:
1ª.- Que prioridades exige a população?
2ª.- Que necessidades mais urgentes a debelar?
3ª.- Como motivar a população para participar no seu bem-estar?
4ª.- Como motivar a população para o desenvolvimento da comunidade?
5ª.- Como motivar a população a participar na "res publica"?
Uma candidatura é um desafio. E desse desafio é parte maior a entrega sem limites ao dever de servir e de cumprir.
Uma candidatura pressupõe ainda a existência de um projecto, o qual determina, para além da gestão corrente, a criatividade, o desenvolvimento, o rigor na defesa da identidade colectiva e a superação do Presente rumo ao Futuro.
Assim seria se eu me apresentasse a sufrágio.
Será uma hipótese remota, mas a Vida ensina-nos a nunca dizer nunca. Hipótese seguramente remota porque nem eu luto por isso nem os meus concidadãos; mas esta realidade objectiva não poderá jamais impedir-me de expressar o que penso, hoje, e o objectivo por que me bateria.
Até sempre!
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