quarta-feira, 30 de outubro de 2013

10 - JORNAL DE PAREDE * Informação


Prezados Leitores:

Antes de tudo o mais, a minha gratidão aos seguidores deste blog e a todos os demais leitores deste espaço que detenho e pretendo dignificar, pesem embora as minhas limitações.

Neste tempo de difícil edição de livros, decidi abrir um outro espaço, no qual arrumo os meus textos, subordinados a títulos provisórios ou definitivos, estes indicados nas etiquetas à direita da pantalha.

O novo espaço --- http://meustemposdoverbo.blogspot.com --- não substitui este vivo e desnudo.

Espero e mui gratificado ficarei se puder contar com as visitas possíveis e os subsequentes comentários críticos que sempre ajudam a crescer qualquer autor.

Reiterando a minha gratidão, os meus cumprimentos.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
30 de Outubro de 2013.
Viana*Évora*Portugal

terça-feira, 29 de outubro de 2013

08 - CIDADANIA * Há um barco rumando a nenhures!

Estive a reler o período da nossa História definido como Regeneração. Como todos sabemos, e também assim no-lo confirma Houaiss, no seu Dicionário da Língua Portuguesa , regenerar significa efectuar nova organização em, reorganizar, etc.

Agora, não valerá a pena deter-me no que li, mas, tão-só, deter-me na palavra regeneração, no seu significado e no modo como se perfila e me exige que a pondere nestes nossos tempos de hoje.

Com o decorrer dos tempos, com as sempre nefastas intromissões da rotina, com as influências dos incautos ou impreparados, etc., as degenerescências instalam-se, gradualmente. E é isto que reclama a regeneração.

É saudável parar para avaliar cada troço do caminho percorrido. Fazer, afinal, aquilo que os mareantes designam por correcção da rota.

Os condutores da marcha, aqueles a quem incumbe determinar as escolhas do caminho adequado, são os mesmos de quem Fernando Pessoa nos fala no seu poema O Mostrengo quando coloca na boca do piloto da nau estas palavras decisivas: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu...»

Confiar nos condutores da marcha significa uma delegação de um poder e não uma sujeição. O condutor de uma marcha não é uma autoridade arbitrária sobre os demais, é uma capacidade, capacidade que deve ser avaliada a todo o momento. Sabemos que errar é humano; e também sabemos ser humana a decisão de corrigir esse erro. Se bem que também seja humano, insistir no erro é atitude pouco inteligente e sempre prejudicial. Daqui se extrai a meridiana conclusão de ter de ser substituído quem não cumpre a tarefa que lhe foi confiada. E quando o erro não é corrigido ou quando o condutor da marcha não é substituído devido à sua inépcia, aqueles que abandonam um barco sem rota ou à deriva fazem-no porque não têm poder para alterar a situação, restando-lhes assumir a sua indisponibilidade de continuar a caminhar para nenhures.

Que trágico é olharmos um barco navegando rumo a nenhures!



José-Augusto de Carvalho
28 de Outubro de 2013.
Viana*Évora*Portugal

terça-feira, 24 de setembro de 2013

08 - CIDADANIA * Percurso


«Sempre que ensines, ensina também a duvidar do que ensinas.»

Constantemente, a Vida nos ensina a corrigir o que tínhamos por garantido. Assim, concluímos que deveremos ter a dúvida como bússola do nosso percurso.

08 - CIDADANIA * Dois cafèzinhos

Crónica do quotidiano

Foto Internet, com a devida vénia.


Hoje, encontrei um ex-colega de profissão e amigo de longa data. Porque ambos tínhamos tempo disponível, convidei-o para beber um café numa esplanada desta Lisboa onde habitamos.

Conversámos da Vida e de peripécias dos tempos idos e actuais. É bom rever amigos e conversar. Depois, chamei o empregado e paguei. 

 Dois cafézinos --- três (3) euros. Surpreendido, perguntei o porquê do preço exagerado. O empregado, gentilmente, reconheceu o exagero e justificou-o com o preço que a Câmara Municipal cobra pela utilização do espaço público.

Partimos juntos até uma paragem do metro, onde o meu amigo teria transporte para rumar a casa.

Enquanto caminhávamos, a pé, interrogámo-nos: o Poder Local, que reconhecidamente apoiamos pela sua importância, não atentará na situação que cria? Pois, é que se o comerciante paga caro o espaço, imputá-lo-á ao consumidor. Ora porque assim é, a Câmara Municipal é directamente responsável pelo exagero que assalta a bolsa dos seus munícipes.

Evidentemente que estou atento ao rifão: Na primeira cai um qualquer; na segunda só cai quem quer. No entanto, retiro esta lição do ocorrido: terei de precaver-me, sabendo que a Câmara Municipal não protege os seus munícipes.

Dizia-se, antigamente: Não preciso de tostões, preciso é de milhões. Vale o aforismo, pois o exagero que paguei não afectará a minha bolsa. A questão que deixo aqui é a do exagero, apenas. 

Oxalá que este exagero não seja a primeira passada da tal estrada de mil léguas que sempre começa por uma passada...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 24 de Setembro de 2013.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

06 - ROMANCEIRO * No Tempo, os tempos...



Um dia, irei parar. O alor do movimento
sucumbirá às mãos da inércia dos algozes.
E o tempo que foi meu, sem viço nem alento,
doído, chorará fatais apoteoses.

Não mais o florescer ao sol da primavera.
Não mais manhãs dourando o pipilar nos ninhos.
Não mais festões de Abril tecidos nesta espera,
suspensos colorindo as orlas dos caminhos.

Ah, tempo que sem tempo assim se me perfila,
à chuva, ao frio, ao sol rasgando a vida em tiras!
Ah, Vida naufragando em vagas intranquilas,
vestidas só de sal e névoas de mentiras.

E o tempo que foi meu, já velho, cedo agora.
Que  o novo tempo chegue e cumpra a sua hora!


José-Augusto de Carvalho
 28 de Agosto de 2013.
Viana * Évora * Portugal

sexta-feira, 5 de julho de 2013

08 - CIDADANIA * A exigência


A exigência começa em nós. Só quem é exigente tem legitimidade para exigir aos demais. Exigência na responsabilidade de ser e agir.
A responsabilidade de ser determina a exigência do respeito por nós e pelos outros.
A responsabilidade de agir ou no agir determina o domínio dos caminhos a percorrer, a procura incessante das alternativas mais adequadas à situação concreta que se pretende alterar ou corrigir. Qualquer acção, tal como a palavra, tem o dever de ser precisa.
Sabemos que ninguém domina as diversas áreas do saber, logo é indeclinável o dever de nos socorrermos de quem, aqui e ali, está em condições de nos auxiliar no agir. Desprezar esta condição é desafiar o insucesso a prejudicar a exigência do ser e do agir responsavelmente.Ultimamente, ouço, com frequência, o apelo à renovação. Em abstracto, nada a dizer. Qualquer mudança é própria da vida e deveremos pugnar por ela desde que não signifique mudar para pior.Renovar é, como sabemos, o velho dar o lugar ao novo. Trata-se de assegurar a continuidade de um objectivo concreto, ainda que tendo em atenção as mudanças de perspectiva, as correcções impostas e que não dependem da nossa vontade.Renovar por renovar, desprezando o saber dos mais experimentados, é erro que se pagará caro, inevitavelmente.Exigência não casa bem com inexperiência, ineficiência, etc.A História realça o êxito dos povos que sempre atenderam aos Conselhos dos Anciãos. E a sabedoria popular ainda hoje mantém este alerta: O diabo sabe muito não por ser diabo, mas, sim, por ser velho.Não tenho a jactância de julgar seja quem for, mas intuo que o rei vai nu. O tempo me dará razão ou não. Oxalá que não.

Até sempre!
José-Augusto de Carvalho

segunda-feira, 1 de julho de 2013

06 - ROMANCEIRO * A Bandeira da Vida




Caminhemos! Além do cerro, caminhemos!
Sob a névoa, há sinais do fogo que se ateia.
Enrubesce a manhã. E o seu clarão semeia
primaveras de nós. Ousados, caminhemos!

A bandeira da Vida, ao alto, desfraldemos!
Com a força do braço e da vontade plena!
No futuro do olhar, o longe já acena.
Sem temor nem cansaço, ousados, caminhemos!

Já perdeu quem ficou na renúncia da espera.
Já perdeu quem escolhe o pão da rendição.
Ah, que seja amassada esta fome do pão
em cansaços que só a liberdade gera!

É de mim e de ti, de nós todos, nesta hora,
a razão de partir «por esses campos fora»!...


José-Augusto de Carvalho
30 de Junho de 2013.
Viana * Évora * Portugal