segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

08 - CIDADANIA * Este Abril que dói...




ESTE ABRIL QUE DÓI PORQUE É MATADO, TRAÍDO!


Choro por tanta dor, abandono, miséria, frio, desemprego, emigração da gente da minha gente.


Choro pela Morte da minha/nossa Mátria.


Mas um dia as lágrimas-sementes serão fruto:REVOLUÇÃO!


Andrade da Silva












quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

05 - REFLEXÕES * O encargo de escrever


Escrever é comunicar.

Quem escreve tem ou supõe ter algo a dizer ao outro.

Quem lê determinará se o que leu foi útil ou uma perda de tempo, do seu tempo de cidadão e leitor.

Escrever é trabalhoso, é mal pago, pode ser um prejuízo material.

Vejamos:

É trabalhoso porque escrever exige horas de estudo e de ponderação, exige consultas e recolha de dados e despesas daí decorrentes;

É mal pago materialmente porque sempre se considerou de somenos o trabalho intelectual; e é mal pago ainda quando não há o reconhecimento por parte das entidades públicas e privadas que da Cultura se reclamam;

Pode ser um prejuízo material quando quem escreve tem de pagar as edições para o seu trabalho chegar ao leitor.

*

Além de quanto antecede, há ainda a situação de quem escreve evitar a edição dita de autor, daí preferir a chancela de uma editora. E esta preferência decorre de ser comum entender-se que a edição de autor determinará menor qualidade do texto editado, pois texto de qualidade terá sempre editora disposta a editar.

Esta verdade feita tem feito o seu caminho na nossa sociedade. Infelizmente.

E aqui levanta-se outra dificuldade para o autor se não for autor consagrado, logo dando garantia comercial ao editor. E a dificuldade é a de ter de pagar a edição e receber uns quantos exemplares do seu livro, os quais, se conseguir comercializá-los, lhe permitirá recuperar o dispêndio. Os restantes exemplares ficarão propriedade da editora, que os comercializará, deles pagando por direitos de autor 10% (ou pouco mais) do preço de capa.

Ponderada esta situação relatada, pergunta-se por que motivo o Estado (do Ministério da Cultura às Juntas de Freguesia) não procura soluções para analisar as obras que lhe sejam submetidas por muitos autores que temos e a esse critério adiram e depois publica as que forem consideradas merecedoras do dispêndio do erário público?

Seria a promoção da palavra escrita e um serviço público à Cultura. E mesmo que seja de atender ao binómio custo-benefício, retorno haverá, certamente.

Evidentemente que para além da palavra escrita, outras actividades na área da Cultura deverão merecer a mesma ponderada atenção.

Aqui fica, para que conste.

Até sempre!

Gabriel de Fochem
Alentejo, 15 de Dezembro de 2014.

sábado, 29 de novembro de 2014

06 - romanceiro * Assim seja!






Que o tempo de hoje se situe e seja o desafio!

Que a folha desprendida ensaie o rodopio!



Que as dores das origens

se evadam nas manhãs

e sangrem as vertigens

nos outonais delíquios das romãs!



Que após o longo tempo em gestação,

das húmidas entranhas brotem lanças!

Lanças subindo, raio acima, a tentação

da luz que vem do céu no olhar duma criança.



Que venha, num sinal tão manso de evangelho,

anunciar o pão,

o pão da fome, o pão do menino e do velho

que, ali no largo, jogam ao pião!




José-Augusto de Carvalho
13 de Novembro de 2014.
Viana*Évora*Portugal

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

05 - REFLEXÕES * O desaforo




Quem tem olhos, que veja!

Quem tem ouvidos, que ouça!

Exortações antigas que conheço desde que me aventurei na leitura dos textos bíblicos. Excelentes exortações, concedo, até porque muito convém sabermos o que se passa. É verdade, quem anda distraído neste mundo de cristo sem cristo, está perdido se não 
decidir optar por uma postura atenta!


Se tudo isto convém, não é menos verdade que vamos ouvindo, aqui e ali, confidências que nos desgostam e melhor seria não as termos ouvido…

Ou vamos vendo, também aqui e ali, o que teríamos desejado não ver… porque «olhos que não vêem, coração que não sente»… (Ah, este rifão cruel, tão cruelmente verdadeiro, quantas vezes!...)

Nesta altura da vida, vida já longa, decidi afastar-me, na esperança de me poupar a desgostos. Mas sempre alguma situação se me depara abruptamente; sempre alguma inconfidência insolitamente me chega… E fico triste, mais triste ainda, por mim e pelos outros. Pelos outros que esperam e desesperam; pelos outros que confiam até ao desespero da frustração!

O desaforo implantou-se.

Como já tenho obrigação de saber, «um homem sozinho não vale nada». E porque estou sozinho, logo nada valendo, suporto o desaforo. Suporto porque não tenho alternativa.

Tempos virão, porque a decadência não é o fim da História, mas apenas a desagregação duma situação, dum tempo que morre, dum tempo que morre sem deixar saudades… Tempos virão e com eles quem nos julgará e condenará.

E aqui será obrigatório citar Brecht? Se sim, oxalá que os vindouros, quando nos julgarem, nunca esqueçam o tempo escuro a que escaparam...

-/-

Gabriel de Fochem
27 de Novembro de 2014.

Alentejo*Portugal

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

05 - REFLEXÕES * O objectivo principal


O objectivo principal será sempre tentar saber: como se chegou aqui; como se está aqui; como sair daqui.

Como se chegou aqui? Que causas terão determinado uma caminhada que não conseguiu alcançar os objectivos propostos à partida?

Como se está aqui? Em que condições estamos aqui, agora?

Como sair daqui? Que condições há para ultrapassar a situação e de que meios dispomos para o conseguir?

Ponderando as respostas a estas três interrogações, será possível uma avaliação da situação e perspectivar um modo de agir racional.

Voluntarismos e desenrascanços nunca foram um modo sustentado de agir. Ou estoutra, também sua aparentada: «quem não tem cão, caça com gato».

Esta reflexão decorre do muito que vou vendo e só nos tem conduzido a desaires.

Se contribuí com esta reflexão, fico satisfeito por ter sido útil; se não consegui, que siga a dança!

Até sempre!

Gabriel de Fochem
26 de Novembro de 2014.
Alentejo, Portugal

terça-feira, 14 de outubro de 2014

05 - REFLEXÕES * Poder


«Conquistar o Poder é fácil; difícil é conservá-lo.»



Talvez seja oportuno debruçarmo-nos sobre o alcance desta frase tão usada na dita Ciência Política: «Conquistar o Poder é fácil; difícil é conservá-lo.»

Situemos a frase no âmbito democrático, para evitarmos derivas armadas.

Posto isto, ficará claro que quem concorre num acto eleitoral, conquistará o poder se ganhar a eleição.

Situada a questão, outra se levanta: por que será difícil conservar o Poder obtido no acto eleitoral?

Aqui, teremos de meditar: que motivo ou motivos poderão levar os cidadãos a alterar o seu sentido de voto, isto é, a votarem noutro candidato, em eleições futuras.

Excluindo questões de alienação ou de caciquismo, o eleitorado terá aceitado como razoáveis as propostas do candidato, daí delegar nele a responsabilidade da condução do destino colectivo ou de qualquer outro que esteja em causa.

Ora, chegado o tempo de novo acto eleitoral, os cidadãos, avaliado o trabalho do eleito, decidirão de novo. Se a avaliação for positiva, será muito provável que optem pela reeleição; se for negativa, haverá fortes possibilidades de optarem pela mudança.

De forma simples e esquemática, será assim.

Optei por colocar a questão com simplicidade porque determina a sabedoria e a experiência que sempre se deve partir do simples para o complexo. Parece-me isto tão certo quanto é certo que se faz uma casa partindo dos alicerces para o telhado e nunca o inverso.

Sei, naturalmente, que o tema deste registo é do conhecimento geral. Se me propus falar dele foi por ter sérias dúvidas de que os meus concidadãos o tenham sempre presente, designadamente em períodos eleitorais.

Convirá esclarecer que não estou querendo «ensinar o Pai-nosso ao cura». Aqui, apenas crio oportunidades para «falar» com os meus concidadãos que fazem o favor de me ler.

Até sempre!

Cordialmente,

Gabriel de Fochem
13 de Outubro de 2014.

05 - REFLEXÕES * Tragicomédias


Ou muito me engano ou deverá estar prestes algum juízo final doméstico. Não é chalaça o que digo. E esta minha suspeita deriva da leva de arrependidos que anda por aí, arrependidos das malfeitorias de que foram actores ou aplaudiram ou a que passivamente assistiram.

Cansei destes arrependidos que se põem a salvo como se algum naufrágio ameace o navio em que embarcaram para o cruzeiro de mau gosto a que assistimos incrédulos.

Pois é! «O amor é eterno enquanto dura.» (E aqui convoco o poeta e escritor francês Henri de Régnier, 1864-1936, que escreveu «L’amour est éternel tant qu’il dure»). Pois é! Tal qual este cruzeiro dos arrependidos, que anteviram saboroso e agora se lhes desnuda azedo até à náusea.

Sabemos que estes arrependimentos são cíclicos. Logo, logo, ao cais do desplante outro navio atracará para receber veraneantes para mais um aliciante cruzeiro.

O milenar «estás perdoado; agora, vai e não peques mais» é o hábil vaivém dos instalados ou, como dizia frequentemente um velho amigo já desaparecido, dos que «são desta opinião e da contrária se assim convier».

Adolescente ainda, aprendi com o poeta Guerra Junqueiro, no seu livro «A velhice do padre eterno», o que reputo de máxima a ponderar seriamente: «Um justo não perdoa, julga.»

Claro que sempre há quem se engane no caminho e terá o direito de corrigir a rota. O que não entendo bem é como há quem só verifique o erro quando o fogo lhe chega aos fundilhos. E destes eu desconfio…

Até sempre!

Gabriel de Fochem
14 de Outubro de 2014.