Nas estradas e encruzilhadas da vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.
terça-feira, 24 de maio de 2016
09 - IN MEMORIAM * Olga Benario Prestes
N ã o !

Em louvor de Olga Benario Prestes
Mártir do nazismo, em 1942, com 34 anos de idade.
Eles não conseguiram matar-te!
Entre as gentes sem paz e sem pão,
ao alto erques o rubro estandarte
do teu Não!
Milenar, o teu sangue é um rio
que transborda das margens-prisão
e se espraia no mar desafio
do teu Não!
Não nos campos e não na cidade
que palpitam no teu coração
e acreditam no grito-verdade
do teu Não!
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 26 de Abril de 2016.
*
Em Fevereiro de 1942, Olga
foi executada junto com outras 200 prisioneiras na câmara de gás de Bernburg. A
notícia da sua morte veio através de um bilhete escondido na bainha da saia de
uma presa.
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09 - In memoriam
domingo, 22 de maio de 2016
06 - ROMANCEIRO * Rimance de um Povo singular
Era um povo singular
nesta faixa acantonado,
erecta e rectangular,
desenhada à beira-mar
com notas de ausência e Fado.
.
Um dia, mais atrevido,
ousou ir molhar os pés.
Depois, apurou o ouvido
para entender o sentido
do vai e vem das marés.
.
A dolente melodia
era um canto de embalar
que de longe prometia
um barco de fantasia
e sonhos de céu e mar.
.
E este povo singular,
indeciso, ponderava
a renúncia de ficar
na segurança do lar
que a terra firme lhe dava
.
ou aceitar a aventura
do desafio do mar
e ganhar-se na tontura
das lonjuras da loucura
onde ousar já é chegar…
.
Largou enxadas e arados,
largou trigais e moinhos,
e por mares encapelados
e ventos desesperados,
na distância, abriu caminhos…
.
Dobrou os Cabos da Dor,
da Desgraça e da Tormenta.
Ganhou promessas de amor
doutra cor e com sabor
a noz moscada e pimenta.
.
Deu à Pátria a dimensão
das partes todas do Mundo.
Foi por sonho e condição
caravela de evasão
que jamais irá ao fundo.
.
Quando os ventos da mudança
sopraram do pátrio chão
numa danada aliança,
ficou presa a esperança
neste cais em negação…
.
Que pesadelo te amarra
a urgência de navegar?
Que plangência de guitarra
em renúncia encerra a barra
a um povo filho do mar?
.
José-Augusto de Carvalho
25 de Outubro de 2013.
Viana*Évora*Portugal
(Da colectânea em preparação «Canto Revelado»)
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06 - romanceiro
quinta-feira, 25 de junho de 2015
10 - JORNAL DE PAREDE * Liberdade e cidadania
BLOGUE LIBERDADE E CIDADANIA
QUINTA-FEIRA, 25 DE JUNHO DE 2015
UMA (A) OBRA DE ABRIL, em 25 ABRIL 2015:PASSADO DE ORGULHO E HONRA-FUTURO!
LANÇAMENTO EM ALMADA DO LIVRO DE MARIA JOSÉ MAURÍCIO -
“Memória e Vida em Tempos de Abril. Estórias de Liberdade e de Libertação”.
Em tarde de Verão, quente e luminosa, a sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, em Almada, acolhia o lançamento do livro anunciado. Despida de ornamento interior, abria-se com ampla varanda à bela vista panorâmica sobre o rasgo do Tejo junto ao Alfeite e, sobranceira ao jardim fronteiro, acolhia os braços erguidos de mãos espalmadas, esculpidos pela arte de Jorge Vieira, num clamor de liberdade em ascenso infinito.
Ali confluíram familiares, amigos, pessoas interessadas nestes eventos que, em salutar confraternização, acolheram a autora e o seu livro, agora lançado a público.
Dele falou o editor das Edições Colibri, Dr. Fernando Mão de Ferro, esclarecendo o acolhimento da editora em publicar a obra que representa um contributo ao conhecimento da nossa História recente, nomeadamente, em relação à Revolução de 25 de Abril.
Nessa perspectiva, se enquadrou, também, a intervenção do Capitão de Abril, Andrade da Silva, que esclareceu muitos aspectos históricos ligados à Revolução, desmistificando determinados clichés, como o PREC- Processo Revolucionário em Curso -, e salientando que a Revolução transformadora foi a que ele, enquanto oficial do MFA e às ordens deste, defendeu ao lado dos assalariados agrícolas do Alentejo quando os mesmos construíam a Reforma Agrária.
Seguidamente, Miguel Urbano Rodrigues referiu que, estando afastado, desde há algum tempo, de actividades públicas, abriu uma excepção para apresentar este livro, salientado que “O belo livro de Maria José Maurício aponta o caminho percorrido pela geração – repito – que tornou possível a Revolução de 25 de Abril.” E, no final da sua intervenção, refere-se a ela dizendo: “O teu livro, memória da resistência ao fascismo, lembra-nos que Abril nasceu da luta, do desafio vitorioso ao impossível aparente”.
Quanto à autora, profundamente comovida com a expressiva manifestação de amizade e solidariedade, falou da motivação que a levou a escrever o livro: dar a conhecer espectos significativos da luta antifascista e anticolonialista; enaltecer a gesta heróica dos militares do MFA e da aliança com o Povo para que o 25 de Abril triunfasse; revelar como se teciam as relações de poder e das contradições que enformam entre os protagonistas da História, em tempo de Revolução, em 1974/75.
Ao mesmo tempo, falou do desejo de que este seu livro seja conhecido pelos jovens como uma homenagem à luta das gerações dos seus pais e avós, pela liberdade e pela democracia. Por fim, referiu-se ao labor continuado em acção consciente e interventivo na sociedade - de que este livro é uma “peça”- e, consequentemente, um instrumento pedagógico para a formação para a cidadania, considerando a função que a literatura de ficção pode e deve desempenhar no plano da Cultura de um Povo.
Por último, tomou a palavra o Sr. Presidente do Município de Almada, que acolheu com todo o carinho o evento realizado, manifestando o profundo apreço pela obra, pela autora, pelos presentes; realçando o carácter pedagógico da obra e das palavras inscritas que indicam sentidos, reafirmando o apoio do Município para continuar a sua divulgação.
Um dia que se fechou com alegria, um livro que se abre a leituras sobre memória e vida do Povo, em tempos que são de luta continuada para cumprir Abril.
PS: O livro está à venda:
Nas livrarias Colibri – Faculdade Ciências Sociais e Humanas, Av. De Berna, 26 C – Lisboa
Faculdade de Letras de Lisboa, Alameda da Universidade – Lisboa
Na Casa do Alentejo – Rua das Portas de Stº. Antão, 58 - Lisboa
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10 - JORNAL DE PAREDE
domingo, 22 de fevereiro de 2015
08 - CIDADANIA * Montemaior
Nós somos, por condição,
todos de Montemaior!
Aqui, dizemos que não
a quem renuncie ou chore.
Somos de Montemaior
e, com olhos de quem vê,
conhecemos o porquê
de quem nos negue ou ignore.
Conjugámos, clandestinos,
o verbo da identidade,
quando havia outros destinos
recusando a claridade.
Se não libertos dos amos,
em que liberdade estamos?
José-Augusto de Carvalho
Recuperando textos antigos
Alentejo, 22 de Fevereiro de 2015.
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08-Cidadania
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
10 - JORNAL DE PAREDE * A Revolução dos Cravos, sempre!
Do meu muito estimado Amigo Coronel Andrade da Silva chegou-me o texto abaixo. E porque está e estará sempre presente em mim a admiração, o reconhecimento e apreço pelos homens que corajosamente tudo deram pela Pátria e pelo Povo, associo-me à homenagem do meu Amigo Andrade da Silva.
“Ao seu filho, esposa e aos seus/nossos camaradas e amigos. No dia do aniversário do seu filho.”
É meu/nosso dever dar a conhecer quanto o General Fabião apoiou os movimentos sociais Alentejanos, nomeadamente, o meu comportamento no que teve de mais genuíno, como consta dos autos no Conselho Superior de Disciplina do Exército, em que contrariou infundadas acusações de ser eu um oficial incomandável, obviamente, que por alguns, claro, como, Fabião demonstrou; mas também nas visitas que me fez à prisão; no modo como me defendeu no 3ª. Tribunal Militar; no modo como me recebeu na sua casa, e, de um modo muito significativo, como me convidou para participar na reunião realizada na sua casa, pós 25 de Novembro 75, para sugerir a Otelo que se mantivesse como um símbolo claro de Abril. Infelizmente, Otelo não os/nos ouviu.
Também devo referir a sua indignação nas assembleias do MFA, em que dizia que seria preciso desenterrar Salazar para julgar o Salazarismo: nesta tarefa, Abril falhou, completamente.
E, ainda, devo mencionar, porque outros que com ele estiveram mo disseram: Carlos Fabião também foi um capitão de muita coragem na Guiné, o que significa poupar vidas aos militares que comandou.
Carlos Fabião, um grande capitão-general de Abril, sempre presente!
Um grande Homem e um nobre Português.
Nunca o esquecerei (nunca o esqueceremos) e a sua grande nobreza de ouvir um tenente, com 25/26 anos de idade e sete/oito de profissão.
General Carlos Fabião - PRESENTE!
andrade da silva
“Ao seu filho, esposa e aos seus/nossos camaradas e amigos. No dia do aniversário do seu filho.”
É meu/nosso dever dar a conhecer quanto o General Fabião apoiou os movimentos sociais Alentejanos, nomeadamente, o meu comportamento no que teve de mais genuíno, como consta dos autos no Conselho Superior de Disciplina do Exército, em que contrariou infundadas acusações de ser eu um oficial incomandável, obviamente, que por alguns, claro, como, Fabião demonstrou; mas também nas visitas que me fez à prisão; no modo como me defendeu no 3ª. Tribunal Militar; no modo como me recebeu na sua casa, e, de um modo muito significativo, como me convidou para participar na reunião realizada na sua casa, pós 25 de Novembro 75, para sugerir a Otelo que se mantivesse como um símbolo claro de Abril. Infelizmente, Otelo não os/nos ouviu.
Também devo referir a sua indignação nas assembleias do MFA, em que dizia que seria preciso desenterrar Salazar para julgar o Salazarismo: nesta tarefa, Abril falhou, completamente.
E, ainda, devo mencionar, porque outros que com ele estiveram mo disseram: Carlos Fabião também foi um capitão de muita coragem na Guiné, o que significa poupar vidas aos militares que comandou.
Carlos Fabião, um grande capitão-general de Abril, sempre presente!
Um grande Homem e um nobre Português.
Nunca o esquecerei (nunca o esqueceremos) e a sua grande nobreza de ouvir um tenente, com 25/26 anos de idade e sete/oito de profissão.
General Carlos Fabião - PRESENTE!
andrade da silva
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10 - JORNAL DE PAREDE
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
07 - B R A S I L * Josué de Castro
Josué de Castro * Médico e pesquisador brasileiro
Josué de Castro (1908-1974) foi médico, pesquisador e professor brasileiro. Pesquisou os problemas da fome e da miséria no Brasil. Realizou conferências e estudos sobre a fome em vários países. Foi professor em diversas universidades no Brasil e da Universidade de Vincennes, na França.
Josué de Castro (1908-1974) nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 5 de setembro de 1908. Filho de Manoel Apolônio de Castro, proprietário de terras, e de Josepha Carneiro de Castro, professora, de família de classe média vinda do sertão do Estado. Fez seus primeiros estudos em casa, com sua mãe. Foi aluno do Colégio Carneiro Leão e depois ingressou no Ginásio Pernambucano. Foi para o Rio de Janeiro estudar Medicina na Faculdade Nacional de Medicina do Brasil, onde permaneceu durante seis anos.
Em 1929, já formado, volta para o Recife, preocupado com as condições de saúde da população. Encontrou a cidade num período de agitação política pela campanha da Aliança Liberal e pela Revolução de 30. Manteve-se longe da militância político-partidária. Desenvolveu trabalhos de pesquisas em problemas ligados à alimentação e habitação, em diversos bairros operários da capital pernambucana.
Seus estudos o levaram a descobrir que a fome era uma verdadeira catástrofe social. Era contra a afirmação de alguns estudos que admitiam que a fome era decorrente das condições físicas, climáticas e étnicas. Concluiu que o desnível social resultava das estruturas econômicas e sociais impostas no período colonial e mantidas nos períodos Imperial e Republicano. Em 1932, escreveu o livro "Condições de Vida das Classes Operárias do Recife". Era professor de Fisiologia na Faculdade de Medicina do Recife.
Após a Revolta Comunista de 1935, Josué transferiu-se para o Rio de janeiro, lecionou Antropologia na Universidade do Distrito Federal e realizou trabalhos em missões do governo federal. Em 1936, publicou o livro "Alimentação e Raça". Em 1939, é convidado oficial do governo italiano para realizar conferências nas universidades de Roma e de Nápoles, sobre "Os Problemas de Aclimatação Humana nos Trópicos.
Josué de Castro passou a trabalhar, a partir de 1940, no Serviço de Alimentação e de Previdência Social (SAPS), e fundou a Sociedade Brasileira de Alimentação. Foi convidado oficial de vários países para estudar os problemas de alimentação e nutrição, esteve na Argentina em 1942; Estados Unidos, em 1943; República Dominicana e México, em 1945 e França em 1947.
Em 1946, publicou o livro "Geografia da Fome". Em 1951, Josué foi eleito presidente do Conselho da Food and Agricultural Organization (FAO), passando a viajar por vários países e visualizar os problemas da fome, sobretudo nos países sub-desenvolvidos. Suas idéias foram publicadas no livro "Geopolítica da Fome", em 1952.
Josué de Castro foi deputado federal por Pernambuco, pelo Partido Trabalhista Brasileiro, de 1954 a 1958 e de 1958 a 1962. Nesse último ano, foi designado embaixador do Brasil na Conferência Internacional de desenvolvimento, em Genebra, na Suíça. Em 1964, o presidente João Goulart foi deposto por um golpe militar, e Josué teve seus direitos cassados, perdendo o cargo de embaixador.
Exilado, transferiu-se para Paris, onde foi nomeado professor de Geografia da Universidade de Vincennes, onde desenvolveu pesquisas e viajou para diversos países da Europa, África e América Latina, que procuravam seu apoio.
Josué de Castro morreu em Paris, no dia 24 de setembro de 1974.
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