segunda-feira, 24 de novembro de 2008

06 - ROMANCEIRO * No cais da solidão




A chaga aberta dói e sangra tanto,

ainda que no tempo passem anos!...
Do chão do nada, a custo já levanto
a safra de aflições e desenganos.

No peito, o coração, teimando, bate!...
Teimando, bate, bate, e não se cansa!
Nem dor nem desalento o sonho abate
dos cravos desta pátria em esperança!...

Dos fastos e desastres, a memória
de um povo erguendo a pátria à dimensão
da gesta humana em páginas de História!...

E neste cais de outono e solidão,
que fado nos impede agora a glória
de ousar no pátrio chão mais um padrão?



José-Augusto de Carvalho

24 de Novembro de 2008.
Viana * Évora * Portugal

1 comentário:

  1. ARTE POÉTICA







    Escrevo o que escrevo. Não faço fretes:
    poesia é remover a nata duma alsaciana;
    comer-lhe, sôfrego, a cereja freudiana,
    sem receio da malvada diabetes.

    Mas julgará bem quem por si julga
    (tal e qual: sem ponto de interrogação):
    prefiro mil vezes a inquietação
    à morte por coice de pulga.

    Há, naturalmente, a congénita inspiração
    que brota, torrencial, qual esguicho,
    a que o poeta induz a douta orientação,
    mais ou menos assim: aí, oh… bicho!

    Mais não consta, salvo um amargo gosto
    de boca. Em parte, por este início ser o fim
    de algo que quase não se conhece o rosto
    e podia muito bem não acabar assim.

    joão de sousa teixeira

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Procuro ser uma pessoa honesta e reclamo das demais idêntica postura. E porque assim é, não será bem-vindo a este espaço quem divergir desta postura.
Até sempre!
José-Augusto de Carvalho