sexta-feira, 30 de março de 2018

02 - POESIA VIVA * Ecce Homo, sempre!


(TEMPO DE SORTILÉGIO) 
Ecce Homo, sempre! 




Desfeitas as entranhas, sangue e pus,
o que restou de mim, aos pés da cruz!

Os fariseus não brincam em serviço!
Famélicos, em bárbaro delírio,
fizeram dos meus restos um feitiço,
quiseram-me a sofrer mais um martírio...

E se morri, o tempo não passou!
De mim, persiste ainda a luz que sonha...
Mãos dadas com o fel que me imolou
nas aras da ignomínia e da vergonha...

O tempo exalça ainda a impunidade
e é débil toda a voz que dá o alarme!
Se em mim persiste o grito da verdade...
...também a ira de crucificar-me!


José-Augusto de Carvalho 
Alentejo, Páscoa de 2002.

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