Nas estradas e encruzilhadas da vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2022
17 - POEMÁRIO * Dos aedos
17 - POEMÁRIO * Entre sombras
sábado, 13 de agosto de 2022
17 - POEMÁRIO * Na voragem
sábado, 16 de julho de 2022
17 * POEMÁRIO * In extremis
NA ESTRADA DE DAMASCO
sábado, 13 de novembro de 2021
17 - POEMÁRIO * Identidade (catarse)
Esta lira de mim!...
*
Identidade (catarse)
Talvez eu tenha sido um sonho (ou pesadelo?)
de um deus que já morreu.
Que importará sabê-lo?
Hoje, me bastará saber que aconteceu.
Neste determinismo, existo porque existo.
Efémero, cheguei; angústia permaneço.
A dúvida instalou-se, eu sei, mas não insisto.
Quando o meu fim chegar, exausto e morto, esqueço.
Aos medos abismais, deixo, por testamento,
a queda a revelar-se
que ainda represento
sem artifícios, cara a cara e sem disfarce.
.
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 10 de Novembro de 2021.
domingo, 7 de novembro de 2021
17 - POEMÁRIO * Oração
NA ESTRADA DE DAMASCO
(livro em preparação)
*
Oração
Na farsa da serpente, repetida,
Senhor, caí, incauta, em tentação!
E quando, aflita, supliquei guarida,
a graça recebi na provação.
Em dor e sal, cumpri a penitência.
Saída da caverna, o dia claro
as sombras extinguiu sem complacência
e a luz foi graça e foi o meu amparo.
Perdida regressei e salva sigo
na tua estrada austera de exigência,
que é minha direcção e meu abrigo.
E na verdade pura da decência,
escrevo os versos dum cantar de amigo,
com o candor sublime da inocência.
.
José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 7 de Abril de 2021
sexta-feira, 5 de novembro de 2021
01 - POSIÇÃO * Informaçao
Informação
domingo, 22 de dezembro de 2019
17 - POEMÁRIO * O derradeiro mito
domingo, 20 de outubro de 2019
05 -REFLEXÕES * Falando de dores
Hoje, tentemos conjugar o verbo doer…
Qual será o significado do lamento: estou com uma dor de dentes difícil de suportar?
Afinal, uma dor de dentes é um problema que o Serviço Nacional de Saúde (mal)trata e de que a odontologia privada se ocupa se ou quando a disponibilidade do meu salário mo permite. Assim, tal qual – quem quer saúde, paga-a!
Evidentemente que a dor de dentes é um exemplo entre todas as outras dores que nos afligem ou nos podem afligir enquanto caminhamos nesta viagem finita em que vamos…
… vamos. muitos cantando e rindo;
… vamos, muitos encarando a viagem como uma via profana (via crucis reduzida à dízima);
… vamos, muitos sem darem por nada, numa acomodação mísera e mesquinha (e aqui te evoco, meu amado Luís, mais uma vez);
… vamos, outros ainda, mas poucos, muito poucos, esbracejando ou esbravejando;
--- vamos, uns tantos proclamando serem do contra porque é bonito ser contestatário ou porque lhes convém inocuamente lavarem a consciência…
.
Vejamos:
-- eu sei que pago os meus Impostos;
-- eu sei que sou, desde o velho Adão, obra do Criador, logo eu e todos os demais pertencemos à única Irmandade --- a Irmandade Humana;
-- eu sei que a Mãe Eva e o Pai Adão mal se comportaram cometendo o pecado da desobediência e, por isso mesmo, foram expulsos do Paraíso, passando eles depois as passas do Algarve e outras mais… e que no-las deixaram de herança até hoje, numa penitência de longevidade que me assombra; mas tudo bem, a misericórdia do Criador é infinita;
-- eu sei que a nossa Leonor, filha do Duque de Beja, depois rainha, após o casamento com o Príncipe Perfeito, o nosso Dom João II, Rei de Portugal de perene memória apesar das aleivosias de muitos, criou as Misericórdias, obra modesta e, avento eu, paroquialmente inspirada na misericórdia infinita;
-- eu sei que os Direitos Humanos dizem defender-me;
-- eu conheço a Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU, 1948);
-- eu conheço os direitos constitucionais do cidadão português;
-- eu suponho saber ler, mas quanto mais leio, mais me parece que vivo um equívoco:
-- eu suponho saber escrever (cartas à família e pouco mais…), mas quanto mais escrevo menos leitores tenho; mas entendo isto: o silêncio mata, logo eu sei que me estão matando… E aqui eu sorrio divertido: não percam tempo querendo matar-me!… a Senhora Dona Morte (olá, Florbela, minha amada) não vai cometer a maldade de se esquecer de mim…
Até sempre!
*
José-Augusto de Carvalho
20 de Outubro de 2019.
Alentejo * Portugal
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
02 - POESIA VIVA * O lado obscuro da História
quinta-feira, 4 de julho de 2019
18 - CAMINHEIROS * José Carlos Dinardo
Estimados Leitores deste meu espaço:
Prevenindo a dificuldade de obtenção de exemplar(es) do livro "Caos estrelado" no mercado livreiro, aqui deixo um endereço que ultrapassará essa presumível dificuldade --- CAOS ESTRELADO
Esclareço que este espaço não é porta voz de interesses comerciais. Aqui, apenas manifesto a minha solidariedade para com um autor que recentemente publicou o seu primeiro livro.
Os meus cumprimentos.
José-Augusto de Carvalho
Alentejo * Portugal
18 - CAMINHEIROS * José Carlos Dinardo
domingo, 30 de junho de 2019
17 - POEMÁRIO * Vento suão
sábado, 22 de junho de 2019
17 - POEMÁRIO * Traço de união
sábado, 15 de junho de 2019
17 -POEMÁRIO * Companheiro...
(CLAVE DE SUL)
(À memória de Joaquim Soeiro Pereira Gomes)
Tu sabias,
quinta-feira, 13 de junho de 2019
18 - CAMINHEIROS * “Caos estrelado”, um livro de poemas
José Carlos Dinardo. poeta brasileiro, ofereceu-me um exemplar do seu livro “Caos estrelado”. Sinto nesta oferta o imenso abraço unindo, mais uma vez, dois países e um idioma comum.
José Carlos Dinardo e eu devemos este relacionamento recente a José Arrabal, escritor brasileiro de créditos firmados, amigo de há muitos anos de fraternas andanças e cumplicidades éticas, estéticas e humanas.
Um livro de poemas não se lê… vai-se lendo e degustando, porque em cada leitura quase sempre se alarga e se aprofunda o mundo próprio do poeta. E esta nótula é importante para antecipadamente confirmar releituras.
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Da primeira leitura de “Caos estrelado” permito-me salientar: o poeta se me apresenta como um observador do que vê, do que intui, do que sente, daqui partindo para desvendar e nos revelar emoções, interrogações, expectativas e perplexidades, mas também anseios e (in)certezas futuras.
No poema inaugural --- demolição, é casada a saudade do que se perdeu com a esperança do que se pode obter. Será, porventura, a recuperação de Lavoisier na celebrada máxima “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
No poema amanhecer, é intuída a antemanhã radiosa do milagre de nascer.
No poema “Rosa da segunda-feira”, o fim-de-semana anterior é lamentado como uma perda, como uma ilusão, como um falhanço. Se parece evidente a alusão ao mundo do trabalho, onde é comum se descansar ao fim de semana, fica difícil apreender o pensamento do poeta se este cantar, como eu entendi, aquele fim-de-semana como se fosse o último.
No poema “Aprendizado”, é cantado o elogio da metamorfose – “deixando casulos ocos, voarei borboleta.” Dito em linguagem chã, o esforço é premiado.
No poema “Matricial”, são ensaiadas combinações dos vocábulos mulher/poema/vivo; os vocábulos escolhidos e as diversas combinações encontradas demonstram como se encontra a sublimação na singeleza.
No poema “Eco da infância”, encontramos o petiz descobrindo a natureza e a sua frustração perante o avô que, voluntariamente alheado, deixa o neto descobrir e descobrir-se sozinho.
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Estou convicto de que a breve referência que fiz aos primeiros poemas do livro “Caos estrelado” será suficiente para despertar o interesse dos leitores. Se é verdade, e eu assumo que é, que nos outros nos descobrimos e logo os outros em nós se descobrem, ler “Caos estrelado” é uma possibilidade a ponderar. Aliás, ler é uma possibilidade a ponderar… sempre! Viver sem livros é que será uma impossibilidade e uma fatalidade.
José-Augusto de Carvalho
Alentejo * Portugal
8 de Junho de 2019.
domingo, 19 de maio de 2019
18 - CAMINHEIROS * José Carlos Dinardo
CAOS ESTRELADO é composto por 70 poemas, criados em épocas distintas e sem uma focalização temática, onde fica claro o fascínio em abordar os aspectos existenciais. A sequência em que os poemas são apresentados na obra é aleatória, tendo sido a definição da posição de cada poema na obra definida por sorteio, feito pelo autor. Esta opção decorreu da preocupação em não contar nenhuma estória com o sequenciamento dos poemas. Assemelha-se assim esta obra a um céu estrelado, com poemas-estrelas com vários brilhos e texturas, onde a montagem das constelações fica por conta do leitor.
Ficha Técnica
ISBN
9788530002695
Páginas
90
Edição número
1
Edição ano
2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
18 - CAMINHEIROS * José Carlos Dinardo
Estimados Leitores de vivo e desnudo:
A etiqueta agora criada -- caminheiros -- corresponde à decisão de divulgar autores que muito prezo.
Inicio esta divulgação com o poeta brasileiro José Carlos Dinardo.
Os meus cumprimentos.
José-Augusto de Carvalho
José Carlos Dinardo por ele mesmo:
Nasci no início da década de 50, em Rio Claro, no interior do Estado de São Paulo. Passei minha infância à beira de uma floresta de eucaliptos, onde brincava e sonhava; meu fascínio pela natureza e meu amor pelos animais decorrem deste cenário.
terça-feira, 7 de maio de 2019
08 - CIDADANIA * A instante interrogação
Para além dos múltiplos deveres e direitos do quotidiano, para além do convívio social dito civilizado do mesmo quotidiano, para além dos afectos, a nossa vida é a instante interrogação de nós mesmos e de tudo o que nos perturba e nos reduz ao desconforto ansioso do real que intuímos e à utopia que perseguimos.
Passamos pela existência de outrem e deixamos ou não memória de nós; passam pela nossa existência e deixam ou não memória da sua passagem. E quando a memória não é perene, poderemos ou não citar Lavoisier? Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma… (cito de cor).
Se, por um motivo ponderável ou não, nos ausentamos, o convívio social dito civilizado já referido sentiu a nossa ausência ou continua imperturbável? Será que, perante a nossa ausência, indiferente sentencia só fazem falta os que estão?
Certa vez, uma pessoa me falava incomodada de alguém que experimentava o outro. Experimentava na acepção de testar, sublinho. Confesso que fiquei surpreendido e ainda hoje assim continuo. Não tenho a pretensão de molestar quem pensa diferente, mas vejamos:
1- Como me parece adequado, comecemos pelo "princípio". Sim, princípio em itálico. Tenho por certo que pouco ou nada sabemos do Princípio e pouco ou nada saberemos do Fim. Aqui vamos neste nosso tempo fazendo os possíveis e sonhando os impossíveis para chegarmos inteiros ao fim da efémera jornada. Ora bem, o mito do Eden é claro: Deus testou ou experimentou Adão e Eva com o fruto proibido. E, que me conste, ninguém molesta Deus por isso.
2- Quando o outro é testado numa prova qualquer, também ninguém ergue a voz protestando.
3- Quando sondamos o outro no sentido de sabermos se contamos ou não com ele para um objectivo qualquer, estamos testando a sua (in)disponibilidade.
4- Quando criamos uma expectativa do outro, alguns indícios dele conhecemos ou supomos conhecer e esses indícios pressupõem um teste indirecto.
Afinal, qual de nós não testa o outro?
Colocado quanto antecede, a conclusão parece evidente: a nossa existência é uma interrogação permanente de nós mesmos perante o outro porque só no outro poderemos encontrar-nos ou não e assim nos cumprirmos ou não.
José-Augusto de Carvalho.
Alentejo* Portugal

















