Nas estradas e encruzilhadas da vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

11 - ALBUM DE IMAGENS * Os caminheiros


Apolo e José-Augusto de Carvalho

10 - JORNAL DE PAREDE * A intemporalidade da indignação

06 - ROMANCEIRO * Perspectiva





Às vezes sinto que a palavra apouca
o tanto que queria fosse dito...
É quando o desespero me abre a boca
e tudo se liberta num só grito.


Um grito que ressoa além de mim,
e vindo das angústias ancestrais,
abarca, do princípio até ao fim,
anseios tão de menos, tão de mais...

Não quero ser de mais, nem ser de menos.
Apenas eu, aqui, no tempo certo.
Saber que sermos grandes ou pequenos
é porque estamos mais ou menos perto.

É sempre a perspectiva do meu grito
que tolhe o que calei, o que foi dito...




José-Augusto de Carvalho

10 de maio de 2005.
Viana * Évora * Portugal


06 - ROMANCEIRO * Pão






Quis ser um caule mais, promessa dos trigais,

semente germinada, anseio na raiz,
rasgando o duro chão das dores ancestrais
e ser, em mim, o pão da fome que não quis.

Estóico resistir aos frios invernais,
às águas temporãs dos céus primaveris,
cantar na minha espiga os áureos madrigais
de anseio e perdição em alvo almofariz.

Ser a farinha branca, enlevo de fartura,
a massa levedada a árduas mãos tendida,
com artes e saber, em golpes de ternura.

Por fim, no forno ser, a bênção concedida,
a fome mitigando ausências de amargura,
lavada de sabor de dignidade e vida.


José-Augusto de Carvalho
15 de setembro de 2004
Viana  * Évora * Portugal

06 - ROMANCEIRO * Rebeldia



O relógio parado!
Há um tempo de assombros
neste fardo pesado,
esmagando-me os ombros.

Quando um número primo
do comando, a pantalha enrubesce
e, no fundo do pântano, o limo
é notícia e floresce.

É urgente o momento total,
situando um presente sem muros,
e um jogral
prevenindo os futuros!

É urgente
sermos gente!



José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal


13 - CALEIDOSCÓPIO * Até quando?




E assim estamos... Estamos?

E assim vamos... Vamos?


E o baile mandado continua!...



Sexta-feira, 7 de Abril de 2006

10 - JORNAL DE PAREDE - Sentença - 1




«Deus manda ser bom,

mas não manda ser parvo...»

(A sabedoria popular no Alentejo. Citando de cor.)