sexta-feira, 1 de novembro de 2013

10 - JORNAL DE PAREDE * O meu (primeiro) testamento


Introdução
Ninguém pode encontrar-se ou perder-se em caminhos que sempre recusou percorrer.


Cidadania

Estou onde sempre estive, progressivamente mais firme nas convicções e mais decidido na sua defesa sustentada.

No caminho percorrido, deparei-me, como era inevitável, com perspectivas que recusei subscrever. É dura esta difícil caminhada! Mas ceder a cantos de sereia acaba sempre em perdição.

Hoje como ontem, reclamo-me aluno da Escola da Vida: estudo e aprendo. Numa constante revisão da matéria dada, corto aqui, acrescento ali.

Aceito como boa orientação a dúvida sistemática. Sou um daqueles que entendem haver muitas dúvidas e raras certezas. Sem nunca perder de vista o objectivo último, a correcção da rota é uma tarefa de todos as horas.

Não carrego no meu bornal a obstinação nem a auto-suficiência; são mantimentos que rejeito por indigestos.

Prezo a ponderação e a discussão; delas sempre nasce a luz possível que nos alumia. E, entre companheiros de jornada, não perco nem ganho debates de ideias: contribuo; não imponho e não tolero imposições. Na grande jornada da Humanidade, o contributo de todos é indispensável. Por dever e por respeito por mim e pelos outros.


Literatura

Leio desde criança; escrevo desde criança.

Quanto ao que li, li de tudo, em boa verdade, mas tentei privilegiar a qualidade; a qualidade sempre relativa que o peso dos anos intenta sublimar.

Quanto ao que escrevo, ajuizará quem me ler. Não sou nem pretendo ser juiz em causa própria. Apenas posso garantir que procuro ser decente. Será pouco? Para mim, é um tudo de que não abdico.

No meu percurso, há livros publicados e textos em antologias. É o meu passado atestando etapas cumpridas.

Posteriormente, tive ofertas de publicação que recusei. E soube, até, de quem tivesse a pretensão de ajudar-me, confundindo divulgação de um trabalho com benemerência.

Distante de tertúlias por opção, comigo conto. E porque assim é, suporto o encargo deste isolamento que escolhi.

Na Literatura, serei ou não o que tiver de ser, mas sempre por merecimento e nunca por favor.

Quase tudo quanto escrevo está publicado em alguns espaços da Internet. Se, um dia, algum editor me ler e desejar editar-me, estarei disponível para ponderar a hipótese. Se tal oportunidade não surgir, talvez, um dia, eu decida assumir o encargo da publicação ou arrumar as centenas de páginas escritas na gaveta das inutilidades.

Se optar pela publicação, o favor ou desfavor dos meus concidadãos será da sua exclusiva responsabilidade. Sem recriminações, aceitarei o seu veredicto. E por uma óbvia razão: se a eles decidir destinar o resultado deste meu labor, a eles competirá aceitá-lo ou recusá-lo.

Hoje, é assim. Nada de definitivo existe sob o Sol.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
1 de Novembro de 2013.
Viana*Évora*Portugal