sexta-feira, 27 de junho de 2008

05 - REFLEXÕES * Sexta-feira Santa



Dia 14 do mês de Abril do ano de 2006.

Sexta-feira Santa. Hoje, assinala-se a crucificação de Jesus, o cristo. Foi há mais de dois mil anos.

O Império Romano era o senhor do mundo. Só ele determinava o que era certo, o que era errado. Como todos os impérios, Roma arregimentou colaboracionistas.
Há sempre quem esteja disponível para fazer o trabalho sujo. São desta laia os que dizem que todo o homem se vende, sendo tudo uma questão de preço. A História regista desmentidos. Melhor será assentar-se haver quem esteja à venda e quem não esteja.
Jesus não pactuou com o Império. Não estava à venda, logo não se vendeu. Sofreu as consequências.
A quem aproveitou o exemplo de Jesus, apesar de ser todos os anos recordado?


Gabriel de Fochem
Sexta-feira, 14 de Abril de 2006.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

05 - REFLEXÕES * Na Praça do Desplante



Conta-se que dois mentirosos, dos mais afamados do meio, decidiram defrontar-se, para definirem qual deles seria o mais criativo.

Dos vários temas propostos, concordaram em escolher a política.

A Praça do Desplante estava lotada.

No palanque, exuberantes, os dois amigos, agora antagonistas.

A assistência, expectante, olhava.

O primeiro mentiroso, depois de simular uma atitude reflexiva, disse:

--- Meus amigos, todos nós estamos felizes com a situação que vivemos. Finalmente, temos um governo socialista!

Um ah! em surdina malagitou a Praça do Desplante.

O segundo mentiroso, assumindo um ar pesaroso, reconheceu:

---Quem não sabe que sempre fui um grande mentiroso! Mas, aqui, perante todos, sou obrigado a confessar que nunca conseguiria dizer uma mentira tão grande.

Outro ah! em surdina malagitou a Praça do Desplante.

Depois, em boa ordem, a assistência recolheu a suas casas.

Ficaram agitando o silêncio da praça vazia os versos maiores da cantiga...

E nós, pimba! E nós, pimba!


Gabriel de Fochem

Segunda-feira, 17 de Abril de 2006.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

05 - REFLEXÕES * A Política



Sabemos que a palavra política nos chegou dos gregos e que significa o governo da cidade.

Partindo daqui, poderemos entender por micro-política o governo do nosso lar e por macro-política o governo dos países. Creio bem ser pacífico este raciocínio.

Qualquer cidadão responsável sabe governar o seu lar. É uma situação comum. Fundamentalmente, sabe que nunca poderá «dar o passo maior do que a perna». Ah, estes ditados, sempre tão carregados de sabedoria!

Qualquer um destes cidadãos responsáveis --- e tantos, tantos são! --- sabe que o seu orçamento terá de atender às necessidades, partindo das mais urgentes para as menos urgentes, e por aí... até esgotar a hierarquização que estabeleceu. Sabendo muito bem que é para toda a família a comida que põe na mesa. E para além da mesa, tudo o mais, evidentemente.

Isto é tão claro, que até parece uma aberração estar a dizê-lo.

Ora, a realidade é subvertida quando se passa da micro-política, a tal que me permiti definir como o governo do lar.

No governo da cidade sucede o que todos sabemos. No governo do país, dos países, do mundo inteiro, afinal, igualmente sabemos. E seria fastidioso estar a enumerar as tantas e tantas situações que quotidianamente nos assaltam, nos ferem, nos magoam, nos indignam, nos envergonham...

É tempo de desmistificar o papão da política!

É tempo de desmistificar os autoproclamados políticos, que se consideram iluminados e que, afinal ---está à vista de todos! --- são os causadores de todos os males sociais que quase nos fazem descrer da humana condição.


Gabriel de Fochem

quarta-feira, 18 de junho de 2008

05 - REFLEXÕES * Perplexidade



Nesta vida, vou tentando observar quanto se passa em meu derredor e opinar, tanto quanto mo consente a minha condição de cidadão versado em coisa nenhuma.
Hoje, manifesto a minha perplexidade acerca do teor de um cartaz que está afixado no corredor da urgência do Hospital Espírito Santo, em Évora.
Na impossibilidade de apresentar uma imagem do cartaz, aqui deixo o seu texto:


É importante saber que…

A urgência hospitalar existe para o atendimento rápido das pessoas com situações de risco para a saúde.
O grau de gravidade da pessoa impõe a rapidez no atendimento.
O atendimento faz-se tendo por base a Triagem das Prioridades

A TRIAGEM DAS PRIORIDADES
(Manchester)


fundamenta-se em:

Classificação da gravidade da situação de cada pessoa que recorre ao serviço de urgência segundo protocolo do Grupo Português de Triagem.
A Enfª. (º) recebe a pessoa, observa-a, faz perguntas e estabelece a prioridade de atendimento, que é identificada com uma cor correspondente ao grau de gravidade (emergente, 0 minutos, cor vermelha; muito urgente, 10 minutos, cor laranja; urgente --- 60 minutos --- cor amarela; pouco urgente --- 120 minutos --- cor verde; não urgente --- 240 --- cor azul)

Elaborado por Albertina Dias, Ana Guerreiro e Rosalina Marques, no âmbito do projecto do 8º. Curso de Complemento da Formação em Enfermagem.
Ora, é importante saber que…

mas eu não sei, e gostaria de saber, se este cartaz, só pelo facto evidente de estar afixado, responsabiliza o Hospital e, por extensão, o Ministério da Saúde;
mas eu não sei, e gostaria de saber, se um(a) enfermeiro(a) está habilitado(a) a proceder a uma avaliação clínica.

Na esperança de um esclarecimento, aqui deixo o meu
até sempre!


Gabriel de Fochem
Junho de 2008.

(Ilustra este texto a foto de uma obra do pintor alentejano Dórdio Gomes)