Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * No reino do faz de conta

Sabia que o autoproclamado Estado Novo foi, entre muitas outras coisas, um reino do faz de conta. O que estaria longe de supor é que também este país de novembro o seria.

Hoje, desde o desfile dos que mudaram de ideário aos descaramento dos que ensaiam acrobacias para se equilibrarem no arame e negarem o óbvio, tudo é uma farsa. E os casos são sérios de mais para os encararmos com um sorriso de indiferença.

Os tempos que vivemos são de grande complexidade, agravada pela ambiguidade de uns e pela desfaçatez encapotada ou declarada de outros. E o povo interiorizou uma indiferença desencantada, resumindo-a num agastado «São todos iguais!».

Sem saudosismos, mas com verdade, aliás de fácil verificação para quem duvide, creio bem ser urgente um regresso à autenticidade, ao saber e ao decoro, à entrega e ao despojamento cívico, para se retomar o caminho da esperança íntegra e autêntica.

Basta de mistificação!

Basta de carnaval!

Domingo, 24 de Maio de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * O Pensamento do Homem

Nunca o ano foi ruim por haver fartura
Pois é, a safra será sempre boa quando corresponde em quantidade e qualidade ao esforço-objectivo da sementeira? Ou convirá determinar o que é uma boa sementeira e também uma boa safra?
Diz a sabedoria dos povos que «quem semeia ventos, colhe tempestades». Posto isto, facilmente se entende que semear ventos não corresponderá a uma boa sementeira; logo colher tempestades, ainda que fartas, também não constituirá uma boa safra.
A memória dos homens regista os malefícios dessas muitas e muitas sementeiras e muitas e muitas safras envenenadas. E, apesar disso, as sementeiras e correspondentes safras continuam, para nossa desgraça.
Recentemente, falando com um amigo, dizia-me ele que essa história das ideologias já não conta. Tentei, em vão, recordar-lhe que o Pensamento do Homem determinou as correntes de opinião e delas decorrem as diversas respostas aos problemas, constituindo uma riqueza colectiva a nunca desprezar. Manteve a sua opinião.
Sabendo todos nós que, em democracia, das correntes de opinião resultaram os partidos políticos, concluiremos que que aquela posição do meu amigo é a negação das correntes de opinião enquanto tal responsáveis e responsabilizáveis.
Não quero nem posso acreditar na falência do Pensamento do Homem, mas sei que a opinião que divulgo aqui é subscrita por muitas pessoas, numa evidente condenação dos partidos políticos que nem sempre respeitarão como é seu dever os ideários de que se reclamam. E da falência do Pensamento do Homem ao ressurgir do homem-salvador vai um passo. E a História aí está a dar-nos conta desses homens-deuses e dos rosários de amarguras que provocaram.
Até sempre!

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * «Abaixo a distracção!»


Através dos meios ditos de comunicação social, chegam, ao meu «monte», notícias e mais notícias e comentários e mais comentários às mesmas notícias.
É uma fartura de «louvar a Deus»!
Da política ao futebol, dos pimbas da música aos da banca, que sei eu!...
Vivemos este tempo que tudo nivelou por baixo, tão por baixo que se compraz em enveredar por subterrâneos.
Por vezes, parece que os vários tempos do Tempo se assemelham às consabidas três fases dos impérios: ascensão, apogeu e queda.
Como toda gente, herdei o saber do tempo dos meus pais e avós. E com essa riqueza de saber, preparei-me como pude para enfrentar o meu tempo e dele perspectivar o tempo futuro. E é aqui que as dificuldades surgem, neste preciso momento em que este hoje é de angústia e o amanhã é uma aflitiva incógnita.
Ensinaram-me a respeitar valores então considerados de todos os tempos. Ora esses valores, hoje, estão a ser questionados na prática quotidiana.
Bem sei que estão sempre em mudança os tempos e as vontades, mas evolução e degradação têm significados diferentes e provocam também situações diferentes. E também sei que a evolução e a degradação não aparecem por geração espontânea.
Exactamente por tudo isto, daqui do meu «monte», eu grito:
«Abaixo a distracção!»
Antes que seja tarde de mais...

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * A «pureza»


Dizia-me um velho e querido Amigo, falecido há muitos anos, que a perenidade do Estado Novo trouxera uma única vantagem: a de testar a resistência dos seus opositores. A idade traz consigo o tal saber de experiência feito. E se os tempos são outros, agora, semelhantes serão na sua acção de testar a resistência.

Aquando da queda da ditadura, eram mais as lapelas do que os cravos. Só que, como muito bem disse um velho resistente, «Nem todos os que estão, são; nem todos os que são, estão.»

Muito se comentam os «desvios» do PREC. E que fizeram os arautos da «pureza» dos Ideais de Abril? O 25 de Novembro de 1975!

Hoje, trinta e três anos passados à sombra tutelar do 25 de Novembro de 1975, a «pureza» dos Ideais de Abril aí está! E estará para durar, posto que, no agudizar da situação actual, tudo indica serem os responsáveis pelo descalabro quem irá reparar o dano.

Nesta insólita situação, pergunto-me se o meu país é um balão de ensaio onde uns quantos aprendizes de feiticeiros se comprazem em experimentar tropelias de mau gosto.

Até sempre!

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * Os insubstituíveis - 3

O meu texto «Os insubstituíveis - 1» mereceu o comentário que transcrevo, na íntegra:

astracan disse...
Desde há algum tempo para cá, uns anos, que cada vez me é mais difícil... votar.Exactamente pelas razões que aqui são apresentadas. Nem os partidos me oferecem algo de substancial, consistente e/ou credível, nem os "independentes" o são realmente e, sendo-o, exige-me o número de anos que passarem desde o meu nascimento, e o que vi durante essa passagem, não acreditar que político "independente" à partida o seja durante o mandato e, muito menos, no fim. A política, quer seja "independente" ou partidária, serve na esmagadora maioria dos casos(e não digo na totalidade para deixar uma réstea de esperança no ar)os políticos, eles mesmos, seus familiares, amigos e "companheiros"(poderia dizer cúmplices) de partido. E o que mais dói é que, este "estado de coisas", dá-se de uma ponta à outra do leque partidário. Como isto se resolve? Não sei...
21 de Abril de 2009 23:21


O meu leitor, que preferiu assinar o seu comentário com o pseudónimo "astracan", releva uma situação comum - a de desencanto pelos cidadãos eleitos para a administração da res publica.

É uma situação deveras preocupante. Quem viveu, como eu vivi, os anos da mordaça e sonhou com a legitimidade democrática, sente este desencanto. E quem não viveu os tempos da ditadura, escapando-lhe, portanto, o termo de comparação vivido dia a dia, é possível que se interrogue sobre a bondade desta democracia que é a nossa. E muito de negativo encontrará para servir de base de sustentação à sua interrogação.

Um dado adquirido é, evidentemente, a possibilidade de todos nós elegermos os nossos representantes nos diversos patamares do Poder. Hoje, sem dúvida, elegemos: o Presidente da República; os Deputados da Assembleia da República, e desta eleição deriva o Governo do País; os Deputados ao Parlamento Europeu; e os autarcas.

Perante esta evidência de poder ao dispor do eleitorado, qualquer insatisfação ou mal-estar terá de resultar da sua inadequada escolha. E esta sempre passível de reparação no acto eleitoral subsequente.

E se ao eleitorado se colocar a questão outra de todos os candidatos lhe não merecerem credibilidade, será sempre de relevar a possibilidade de, no seio partidário, fazer valer a sua vontade de mudança.

Em boa verdade, o sistema democrático sobreleva todos os demais exactamente porque assenta na vontade de todos os cidadãos. São eles que elegem, logo não poderão eximir-se às responsabilidades da sua decisão.

Até sempre!


G.F.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * Os insubstituíveis - 2

Diz o velho rifão que «os cemitérios estão cheios de insubstituíveis».

Vem esta citação a propósito de frases feitas por acções que propiciam situações as mais absurdas. Vejamos o porquê do que digo:

Qualquer pessoa minimamente informada sabe que os partidos políticos têm estruturas dirigentes, a nível nacional, regional, distrital, concelhio e de freguesia. E a essas estruturas dirigentes ascendem, em teoria, pelo menos, os indivíduos considerados mais capazes de respeitarem e fazerem respeitar as propostas políticas que emanam da ideologia de que se reclamam. Daqui se infere que os candidatos a quaisquer actos eleitorais deverão ser encontrados nas respectivas estruturas. E assim se honrará a credibilidade do partido político enquanto tal. Agir de modo diverso é encontrar, de empréstimo, a credibilidade que não tem quanto baste para tentar alcançar os objectivos pretendidos junto do eleitorado.

E foi intencionalmente que disse ascenderem, em teoria, os mais capazes às estruturas dirigentes. Ora, pois, todos sabemos haver, aqui e ali, intenções outras, que determinam a designação de elementos menos capazes. E este nepotismo ou compadrio provoca as tais situações de ascensão de insubstituíveis exactamente porque, viciada a norma, dificilmente haverá uma possibilidade de escolha razoavelmente qualitativa. E aqui temos uma situação artificial originando um facto consumado.

Claro que Maquiavel se rirá no túmulo destes aprendizes de feiticeiro, mas eles vão sobrevivendo, essa é que é essa! E descredibilizando os partidos políticos de que se servem, também.

É triste? Pois é! Mas é o que temos, para nossa vergonha enquanto cidadãos.

G.F.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

As reflexões de Gabriel de Fochem * Os insubstituíveis - 1

O afã de algumas pretensas mentes iluminadas na descoberta de candidatos que o eleitorado tenha por credíveis. Até seria ponderável tal afã se os candidatos se representassem a si mesmos, o que, como sabemos, não é verdade. Todos os candidatos, ainda os que se apresentem rotulados de independentes, agem conforme ditames político-ideológicos. E a bandeira, através do simbolo que a força político-partidária utiliza no boletim de voto, lá está denunciando essa tal independência.
Abro aqui um parentesis para as candidaturas autónomas, só possíveis, que eu saiba, nas eleições autárquicas. Todavia, estas, ainda que autónomas, terão necessariamente uma subordinação de pensamento afim de qualquer uma das ideologias presentes no panorama político-partidário. Fechado o parentesis e regressando ao afã das mentes iluminadas de que vinha falando, este configura a demissão de um partido político enquanto tal, porque não reclama a sua credibilidade perante o eleitorado, preferindo a credibilidade do candidato que apresenta.
Aqui chegado, pergunto-me: como entender um partido político que se socorre da credibilidade de um candidato para tentar alcançar a preferência do eleitorado? E como irá o eleitorado entender um partido político que assim menoriza a sua própria credibilidade?
Este assunto "tem pano para mangas". Voltarei a ele.
Até breve!
G.F.