terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

02 - POESIA VIVA * Perturbação



As grades nas janelas.
O plúmbeo das vidraças.
As hirtas sentinelas.
As vagas luzes baças.

Novelos de água densa.
O frio rodopio.
A túnica suspensa
do corpo desafio.

As ondas de outros mares.
Os gritos sufocados.
Os medos nos esgares
dos barcos ancorados.

As bússolas incertas.
À tona as caravelas.
As mágoas descobertas,
velórios de outras velas.

Silêncio, escuro, nada.
Farol na tempestade.
Sem cor nem claridade,
a lâmpada apagada.

Mataram Aladim.
Mataram a essência.
Nem chamam mais por mim
meus sonhos de inocência...


José-Augusto de Carvalho
10 de Outubro de 2002.
Viana*Évora*Portugal
.

sábado, 28 de Novembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * Impunidade

Tamar Levi, minha querida amiga e poetisa, médica de profissão, enviou-me este mimo do seu/nosso Brasil. Aqui fica, para que conste…

20/01/2008
POR FAVOR, DIVULGUEM, ESPALHEM…
BANDIDO PRIVILEGIADO

Um assaltante foi preso em flagrante esta semana, em Manaíra, bairro nobre (da cidade) de João Pessoa. A polícia o pegou com a mão na massa, apontando a arma para a vítima. Por isso o levou para a Central, destino de todos os bandidos, para de lá ser recambiado ao presídio, como sempre acontece. Eu disse como sempre acontece, mas menti. Acontecia. Com o assaltante de Manaíra aconteceu diferente. Por ser filho de um ex-deputado, empresário bem sucedido e altíssima autoridade da Prefeitura, o rapaz não foi para o presídio. Sequer foi preso. Na Central, a polícia o preservou da imprensa e do incômodo de se ver trancado numa cela comum, ao lado de seus colegas de profissão.
O rapaz, ao chegar na Central, deparou-se com um batalhão de advogados, cada um falando mais alto do que o outro para mostrar serviço. Lá de cima veio a ordem para ele ficar trancado numa sala reservada e especial, embora não seja portador de diploma superior. Ficou lá, guardadinho, sentadinho, sem que ninguém lhe tocasse num fio de cabelo. Os próprios policiais reclamavam do privilégio. Se os pobres bandidos pobres vão para a cela, são fotografados de cuecas, algemados, servindo inclusive de moldura para o secretário tirar retrato e ser filmado pela tv, por que aquele jovem ficava guardado numa sala, longe de tudo e de todos?
O mais danado é que o bandido não esquentou nem o canto. Dali a pouco desembarcou na Central de Polícia uma ordem de habeas-corpus mandando soltá-lo. Saiu da sala especial e retornou aos braços da família, onde foi curtir, no aconhego do lar nobre e de cobertura, a sua aventura pelo submundo do crime.
Não sei com qual cara o secretário de Segurança vai aparecer, de agora em diante, na frente dos jornalistas, exibindo os seus troféus. Juro que estarei presente para perguntar por que ele usa dois pesos e duas medidas. Essa eu não perderei nem cagando…
Migrado de outro espaço.

10 - JOR NAL DE PAREDE * «Dize-me com quem andas...»

Escolhi este velho aforismo para título do que Hugh Thomas regista no seu livro A GUERRA CIVIL DE ESPANHA, publicado em Portugal pela Editora Ulisseia, sob tradução de Daniel Gonçalves.

No dia 15 de Agosto (de 1936), a bandeira republicana foi substituída pela bandeira monárquica. Numa cerimónia solene, em Sevilha, Franco apresentou-se na varanda dos Paços do Concelho, beijou várias vezes a bandeira e gritou para a multidão concentrada na praça: «Aqui está! É nossa! Queriam privar-nos dela!» O cardeal Ilundaín, de Sevilha, beijou também a bandeira. Depois Franco prosseguiu: «Esta é a nossa bandeira, aquela à qual prestámos juramento, aquela por que morreram nossos pais, cem vezes cobertos de glória.» Franco terminou com lágrimas nos olhos. Queipo de Llano falou depois e perdeu-se numa série de desatinos sobre as diferentes bandeiras que tinham representado a Espanha em várias épocas. Finalmente comparou as cores monárquicas com «o sangue dos nossos soldados, generosamente derramado, e o solo da Andaluzia, dourado de trigais. Encerrou a arenga com as suas habituais referências à «ralé marxista». Durante este discurso, Franco e Millán Astray, o fundador da Legião Estrangeira (que voltara da Argentina depois do levantamento), que se encontravam ao lado de Queipo, tiveram dificuldade em reprimir o riso. Queipo concluiu declarando que a intensa emoção que sentia o impedira de fazer o género de discurso que tinha em mente. Falou depois Millán Astray, um homem em cujo corpo eram mais a lacunas da carne arrancada pela metralha do que as partes que lhe restavam relativamente intactas. Só tinha uma perna, um braço, um olho e poucos dedos na única mão que ainda conservava. «Não temos medo deles», bradou. Eles que venham e mostrar-lhes-emos do que somos capazes debaixo desta bandeira.» Ouviu-se um brado isolado: «Viva Millán Astray!» «Que vem a ser isso?, gritou o general. Nada de vivas para mim! Mas digam todos comigo: Viva la muerte! Abajo la inteligencia!»

Federico Garcia Lorca seria assassinado três dias depois, na mesma Andaluzia (arredores de Granada)…
Migrado de outro espaço.

10 - JOR NAL DE PAREDE * Os 3 da vida airada...



PS, PSD e CDS chumbam inquérito parlamentar sobre voos CIA
PS, PSD e CDS-PP rejeitaram esta quinta-feira a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar responsabilidades do actual e anteriores Governos na alegada utilização do espaço aéreo nacional para actividades ilegais da CIA.
A comissão de inquérito foi proposta pelo PCP e contou com o apoio das bancadas do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista «Os Verdes».
No debate em plenário desta proposta, que decorreu quarta-feira, PS, PSD e CDS-PP justificaram a rejeição da comissão de inquérito por considerarem que não há quaisquer provas de ilegalidades.
«Não se pode apurar responsabilidades de factos que não tiveram lugar», defendeu o socialista Vera Jardim, considerando que um inquérito parlamentar sobre este assunto «não é adequado, não é proporcional, não é oportuno».
(…)
Diário Digital / Lusa
11-01-2007 20:16:00

Migrado de outro espaço.

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

02 - POESIA VIVA * O deserdado




No meu acontecer,
fui o que pude ser.

Ergui-me, deserdado,
no tempo encarcerado.

A incerteza enfrentei...
e sem arma nem lei!

No escuro mergulhei,
onde o verbo, ultrajado,
impunha o ser negado...
e eu sem arma nem lei!

Não traí nem neguei.
Fui, no verbo jurado,
o tempo conjugado...
e sem arma nem lei!


José-Augusto de Carvalho
Novembro de 2002.
Viana*Évora*Portugal

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

11 - ALBUM DE IMAGENS * Espanha, anos 30 do séc. XX - A Revolução no feminino

domingo, 22 de Novembro de 2009

03 - NÓS - Desespero






Os lábios comprimidos.

Na roxa cicatriz,


os silêncios feridos.




José-Augusto de Carvalho
22 de Novembro de 2009.
Viana*Évora*Portugal
do livro em construção:
«A minha aventira poetrix»