sábado, 19 de dezembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Conclusão




Definido o Passado,

situado o Presente,

é o tempo de ousar o Futuro.







José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 19 de Dezembro de 2009.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Safra




Ao sol de Maio maduro,


só a safra dos subsídios


nas terras abandonadas?



José-Augusto de Carvalho
Évora, 20.11.2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Poesia




Verso a verso rendilhado,

O verbo entretece o manto

da humana condição.



José-Auusto de Carvalho
Évora, 17.11.2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * A CPI do MST - Os escravagistas



Quem quer que se dirija ao GOOGLE, pesquisa, digitar o nome do deputado Ronaldo Caiado do DEM (partido de José Roberto Arruda) vai encontrar, entre outras coisas, seu vínculo com o trabalho escravo. O deputado é contrário à emenda constitucional que pune com a perda das terras para fim de reforma agrária, o proprietário ou empresa que fizer uso de trabalho escravo. Ele próprio o faz.

Quem for procurar informações sobre a senadora Kátia Abreu (DEM, partido de José Roberto Arruda) vai encontrar que a senhora em questão encalhou no Senado Federal às custas de dinheiro da Confederação Nacional da Agricultura da qual era presidente e repassado àquela entidade para ser utilizado em financiamentos de projetos agrícolas.

Não são necessariamente corruptos por corrupção. São corruptos pelo que representam. Interesses do mais atrasado e boçal latifúndio brasileiro (se bem que não existe latifúndio não atrasado e não boçal).

Kátia Abreu responde a processo por desvio de recursos da Confederação Nacional da Agricultura, tanto quanto por ter lesado um lavrador em sua região, tomando-lhe a terra num típico conto do vigário.

Nem a senadora e nem o deputado descobriram ainda a existência de garfo e faca, por exemplo, para se possa comer. Conhecem chicote, pelourinho, senzala e toda a sorte de boçalidades possíveis em termos de se tratar escravos.

Ronaldo Caiado e Kátia Abreu associaram-se a empresas estrangeiras, a MONSANTO principalmente, entupindo a mesa do brasileiro e lá fora também, de produtos transgênicos, sabidamente nocivos à saúde e que para muito além disso transformam num curto prazo qualquer terra em imprestável ao plantio do quer que seja, mas aí, suas contas bancárias já estarão aptas a lhes garantir futuro tranqüilo e risonho.

A CPI do MST tem dois vieses que se casam. O primeiro deles assegurar a permanência do regime de escravidão mantido pelo latifúndio brasileiro e o segundo assegurar a posse da terra a empresas estrangeiras, logo, ferindo de morte a soberania nacional, tal a extensão de terras em poder desse tipo de gente.

Se a agricultura brasileira, sustentada na prática pelo pequeno e médio produtor rurais, vai se lascar e o “celeiro do mundo” virar um grande deserto dentro de alguns anos, gerando fome e doenças, isso não é problema deles, pois não são humanos, são figuras desprezíveis e abjetas em todos os sentidos.

O patriotismo deles é aquela forma canalha a que se refere o pensador inglês Samuel Johnson.

A CPI é simples. Estigmatizar o MST com apoio da mídia (a grande mídia GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, BANDEIRANTES, etc) venal e serve aos mesmos patrões, assegurar os privilégios dos latifundiários entre eles o de não pagar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras agências de fomento do governo (nunca pagaram e nem pensam em pagar, são caloteiros por natureza), garantindo que permanecerão senhores de escravos e a serviço de potência estrangeira.

São bandidos, bandoleiros lato senso.

Não têm escrúpulos e nem têm nada além da capacidade de urrar e rosnar asneiras.

Que tenham recebido apoio expresso e público do deputado Ônix Lorenzoni, também do DEM (partido do governador José Roberto Arruda) não é novidade. O Rio Grande do Sul embora seja um dos estados mais próspero do País, terra de Mário Quintana entre outros, tem o latifundiário mais brutal e estúpido do Brasil. Ainda desconhecem a existência da roda, mas conhecem a da pólvora com que seus pistoleiros assassinam trabalhadores rurais e pequenos produtores.

E todos eles são financiados tanto por recursos desviados da Agricultura, como por empresas estrangeiras.

A senadora Kátia Abreu, uma espécie de pré-ornitorrinco, tal e qual Ronaldo Caiado. Lorenzoni não. É só um sem vergonha querendo aumentar o por fora. Foi eleita “miss desmatamento.”

Por que não levantar os débitos dessa gente com as agências de fomento à agricultura do governo federal? Os assassinatos cometidos por seus pistoleiros? Será que o brasileiro comum faz idéia de quanto um pilantra como Agripino Maia deve aos cofres públicos de financiamentos para a agricultura e usado em especulação financeira, mas que a GLOBO não informa, pois chega ali boa parte da grana?

A turma de abóboras que gosta de bom dia e escolher a gravata do Bonner?

O que está por trás da CPI do MST? Num primeiro momento garantir privilégios de bandidos como Kátia Abreu, Ronaldo Caiado. Num segundo atender a interesses de grupos econômicos estrangeiros e num terceiro, finalmente, inscrever o Brasil no rol de colônias da corte de Washington, à qual servem com devoção e altos salários.

Isolar um movimento popular que luta por algo que até um general fascista como Douglas MacArthur fez ao final da guerra, no Japão, a reforma agrária.

Quando a fome bater em “grandes plantações”, como afirma Vandré em sua canção “pra não dizer que não falei de flores”, não adianta mandar o xerife atrás desses bandidos. Já estarão longe e o Brasil já será BRAZIL.

A propósito, mesmo o ministro do Meio-ambiente, Carlos Minc, sendo um bobalhão, atrapalha interesses dessa gente e Kátia Abreu usou o recurso mais comum entre os seus. Ameaçou-o de morte por não aceitar assentar-se de quatro no colo do latifúndio.

A CPI do MST é isso. Uma traulitada no interesse nacional. O tal “terrorismo” do MST é uma luta legítima em favor do BRASIL, ao contrário dos que lutam pelo BRAZIL.

Há uma diferença fundamental entre um e outro.



Laerte Braga

*
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * O que está em jogo em Copenhague

Leonardo Boff *

Adital -

Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptamo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos.
O normal seria que a humanidade se pergunta, tal como um médico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.

É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas, mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os países industrializados; e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os países pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.

Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas, não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.

Tem razão a Carta da Terra quando reza: "Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo... Isto requer uma mudança na mente e no coração". É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.

De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.

Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.

Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.

Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.

Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho, comprometeremos nosso futuro.

Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra. No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir.

[Autor de Homem: Satã ou Anjo bom?, Record 2008].
* Teólogo, filósofo e escritor
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sábado, 28 de novembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * Impunidade

Tamar Levi, minha querida amiga e poetisa, médica de profissão, enviou-me este mimo do seu/nosso Brasil. Aqui fica, para que conste…

20/01/2008
POR FAVOR, DIVULGUEM, ESPALHEM…
BANDIDO PRIVILEGIADO

Um assaltante foi preso em flagrante esta semana, em Manaíra, bairro nobre (da cidade) de João Pessoa. A polícia o pegou com a mão na massa, apontando a arma para a vítima. Por isso o levou para a Central, destino de todos os bandidos, para de lá ser recambiado ao presídio, como sempre acontece. Eu disse como sempre acontece, mas menti. Acontecia. Com o assaltante de Manaíra aconteceu diferente. Por ser filho de um ex-deputado, empresário bem sucedido e altíssima autoridade da Prefeitura, o rapaz não foi para o presídio. Sequer foi preso. Na Central, a polícia o preservou da imprensa e do incômodo de se ver trancado numa cela comum, ao lado de seus colegas de profissão.
O rapaz, ao chegar na Central, deparou-se com um batalhão de advogados, cada um falando mais alto do que o outro para mostrar serviço. Lá de cima veio a ordem para ele ficar trancado numa sala reservada e especial, embora não seja portador de diploma superior. Ficou lá, guardadinho, sentadinho, sem que ninguém lhe tocasse num fio de cabelo. Os próprios policiais reclamavam do privilégio. Se os pobres bandidos pobres vão para a cela, são fotografados de cuecas, algemados, servindo inclusive de moldura para o secretário tirar retrato e ser filmado pela tv, por que aquele jovem ficava guardado numa sala, longe de tudo e de todos?
O mais danado é que o bandido não esquentou nem o canto. Dali a pouco desembarcou na Central de Polícia uma ordem de habeas-corpus mandando soltá-lo. Saiu da sala especial e retornou aos braços da família, onde foi curtir, no aconhego do lar nobre e de cobertura, a sua aventura pelo submundo do crime.
Não sei com qual cara o secretário de Segurança vai aparecer, de agora em diante, na frente dos jornalistas, exibindo os seus troféus. Juro que estarei presente para perguntar por que ele usa dois pesos e duas medidas. Essa eu não perderei nem cagando…
Migrado de outro espaço.

10 - JORNAL DE PAREDE * «Dize-me com quem andas...»

Escolhi este velho aforismo para título do que Hugh Thomas regista no seu livro A GUERRA CIVIL DE ESPANHA, publicado em Portugal pela Editora Ulisseia, sob tradução de Daniel Gonçalves.


No dia 15 de Agosto (de 1936), a bandeira republicana foi substituída pela bandeira monárquica. Numa cerimónia solene, em Sevilha, Franco apresentou-se na varanda dos Paços do Concelho, beijou várias vezes a bandeira e gritou para a multidão concentrada na praça: «Aqui está! É nossa! Queriam privar-nos dela!» O cardeal Ilundaín, de Sevilha, beijou também a bandeira. Depois Franco prosseguiu: «Esta é a nossa bandeira, aquela à qual prestámos juramento, aquela por que morreram nossos pais, cem vezes cobertos de glória.» Franco terminou com lágrimas nos olhos. Queipo de Llano falou depois e perdeu-se numa série de desatinos sobre as diferentes bandeiras que tinham representado a Espanha em várias épocas. Finalmente comparou as cores monárquicas com «o sangue dos nossos soldados, generosamente derramado, e o solo da Andaluzia, dourado de trigais. Encerrou a arenga com as suas habituais referências à «ralé marxista». Durante este discurso, Franco e Millán Astray, o fundador da Legião Estrangeira (que voltara da Argentina depois do levantamento), que se encontravam ao lado de Queipo, tiveram dificuldade em reprimir o riso. Queipo concluiu declarando que a intensa emoção que sentia o impedira de fazer o género de discurso que tinha em mente. Falou depois Millán Astray, um homem em cujo corpo eram mais a lacunas da carne arrancada pela metralha do que as partes que lhe restavam relativamente intactas. Só tinha uma perna, um braço, um olho e poucos dedos na única mão que ainda conservava. «Não temos medo deles», bradou. Eles que venham e mostrar-lhes-emos do que somos capazes debaixo desta bandeira.» Ouviu-se um brado isolado: «Viva Millán Astray!» «Que vem a ser isso?, gritou o general. Nada de vivas para mim! Mas digam todos comigo: Viva la muerte! Abajo la inteligencia!»

Federico Garcia Lorca seria assassinado três dias depois, na mesma Andaluzia (arredores de Granada)…
Migrado de outro espaço.

10 - JOR NAL DE PAREDE * Os 3 da vida airada...



PS, PSD e CDS chumbam inquérito parlamentar sobre voos CIA
PS, PSD e CDS-PP rejeitaram esta quinta-feira a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar para investigar responsabilidades do actual e anteriores Governos na alegada utilização do espaço aéreo nacional para actividades ilegais da CIA.
A comissão de inquérito foi proposta pelo PCP e contou com o apoio das bancadas do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista «Os Verdes».
No debate em plenário desta proposta, que decorreu quarta-feira, PS, PSD e CDS-PP justificaram a rejeição da comissão de inquérito por considerarem que não há quaisquer provas de ilegalidades.
«Não se pode apurar responsabilidades de factos que não tiveram lugar», defendeu o socialista Vera Jardim, considerando que um inquérito parlamentar sobre este assunto «não é adequado, não é proporcional, não é oportuno».
(…)
Diário Digital / Lusa
11-01-2007 20:16:00

Migrado de outro espaço.

domingo, 22 de novembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Desespero



Os lábios comprimidos.

Na roxa cicatriz,

os silêncios feridos.








José-Augusto de Carvalho
22 de Novembro de 2009.

sábado, 21 de novembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Saudação



Saúdo o Tempo que passa

e me leva em seu passar,

porque a inércia não existe.





José-Augusto de Carvalho
Évora*Portugal, 17/11/2009.
.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Dia



Distinguem com honrarias



alguns dias de entre os mais...



Para quando sempre o Dia?



José-Augusto de Carvalho
26 de Março de 2005.
Viana*Évora*Portugal

domingo, 15 de novembro de 2009

13 - CALEIDOSCÓPIO * Discórdia



Quando tu gritaste isto é meu,

logo a discórdia corrompeu

o nosso da fraternidade.

José-Augusto de Carvalho
22 de Abril de 2004.

Viana*Évora*Portugal

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

05 - REFLEXÕES * Caminhos...



Impenitente aprendiz, registo os sinais da memória vigilante. Aqui, é um caminho sem pressa de chegar; alí, é um valado bem guardado de silvas, amodorradas ao sol, enquanto as suas amoras amadurecem a saborosa guloseima da passarada; além, é o monte silencioso, no abandono da terra; mais além, em todo o derredor, é o azul, numa campânula celeste de parada beleza.


Ah, Se fores ao Alentejo, / não bebas em Castro Verde, / que as fontes cheiram a rosas / e a água não mata a sede.


O silvo de um comboio corta o silêncio. Os carris rasgam a imensidão das herdades. São raras as povoações que serve neste percurso ferroviário do Barreiro à Funcheira. Muitas das estações ficam a uma distância de quilómetros. Algumas já foram desactivadas e, ao abandono, arruinam-se. O critério que determinou o rasgar desta Linha de Sul não teve seguramente a finalidade de servir as populações. Assim foi no século XIX, assim foi no século XX, assim continua neste século XXI.


Aqui, as minhas primeiras idas a Lisboa eram uma aventura: de churrião, cumpria os quatro quilómetros da vila até à estação, estação que foi desactivada, se a memória me não trai, na década de sessenta do século XX. Hoje, para utilizar a linha férrea, terei de cumprir seis quilometros, de táxi, até à estação mais próxima, situada noutro concelho.
Uma maravilha de serviço público!


Há cerca de ano e meio, devido a internamento hospitalar de minha mulher, em Évora, durante um mês, utilizei, diariamente, o transporte colectivo rodoviário. Apenas de segunda a sexta-feira, por não haver esse transporte aos sábados, domingos e feriados.
Outra maravilha de serviço público!


Este é o país real.


Até sempre!
Gabriel de Fochem

terça-feira, 10 de novembro de 2009

01 - POSIÇÃO * Neste chão!




Não canto, porque não quero,
nem filhos de algo, nem clero.

Poeta, filho do vento,
invento os meus pergaminhos!
Que fiquem, por testamento,
ao pó de incertos caminhos!

Poeta sou, panteísta!
Acima de mim permito
apenas quem, alquimista,
poemas faz de infinito.

Poeta sou, neste chão!
E canto como quem lavra
uma promessa de pão
suado em cada palavra...





José-Augusto de Carvalho

17 de Abril de 2006.
Viana * Évora * Portugal
In Da humana condição, Março de 2008.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * OUTRORAGORA...





Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:


Em verdade vos digo,

-Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

-Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

-Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...


Pedro interrompeu:

- Temos que aprender isso de cor?


André disse:

- Temos que copiá-lo para o papiro?


Simão perguntou:

- Vamos ter teste sobre isso?


Tiago, o Menor, queixou-se:

- O Tiago, o Maior, está sentado à minha frente, não vejo nada!


Tiago, o Maior, gritou:

- Cala-te, queixinhas!


Filipe lamentou-se:

- Esqueci-me do papiro-diário.


Bartolomeu quis saber:

- Temos de tirar apontamentos?


João levantou a mão:

- Posso ir à casa de banho?


Judas Iscariotes exclamou:

(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre)

- Para que é que serve isto tudo?


Tomé inquietou-se:

- Há fórmulas? Vamos resolver problemas?


Judas Tadeu reclamou:

- Podemos ao menos usar o ábaco ?


Mateus queixou-se:

- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!


Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:

Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo aassegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?


Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:

- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!...


E Jesus pediu a reforma antecipada, aos trinta e três anos...



Nota: Recebi sem indicação de autor.
Publicada por José-Augusto de Carvalho

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

06 - ROMANCEIRO * Vocês...




Vocês vieram depois
das trevas da noite densa
e encaram com displicência
os medos da nossa insónia...

Vocês vieram depois
dos tempos das grandes fomes,
quando nos negaram ter
nosso tempo de meninos...

Vocês vieram depois
do tempo da delação,
das masmorras e torturas
de todos os Tarrafais...

Vocês vieram depois
e nem sequer lhes ocorre
que nós arriscámos tudo
para erguer este depois...

Vocês vieram depois
e não nos devem nada...



José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 3 de Setembro de 1996.



1- Memória do nazifascismo.
2- O Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, mandado construir pela ditadura fascista de Salazar, foi inaugurado em 1936 e encerrado em 1954. Em 1962, voltou a reabrir, mas só para os naturais das ex-colónias portuguesas, e foi definitivamente encerrado após o 25 de Abril de 1974.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

05 - REFLEXÕES * No reino do faz de conta

Sabia que o autoproclamado Estado Novo foi, entre muitas outras coisas, um reino do faz de conta. O que estaria longe de supor é que também este país de novembro o seria.

Hoje, desde o desfile dos que mudaram de ideário aos descaramento dos que ensaiam acrobacias para se equilibrarem no arame e negarem o óbvio, tudo é uma farsa. E os casos são sérios de mais para os encararmos com um sorriso de indiferença.

Os tempos que vivemos são de grande complexidade, agravada pela ambiguidade de uns e pela desfaçatez encapotada ou declarada de outros. E o povo interiorizou uma indiferença desencantada, resumindo-a num agastado «São todos iguais!».

Sem saudosismos, mas com verdade, aliás de fácil verificação para quem duvide, creio bem ser urgente um regresso à autenticidade, ao saber e ao decoro, à entrega e ao despojamento cívico, para se retomar o caminho da esperança íntegra e autêntica.

Basta de mistificação!

Basta de carnaval!


Gabriel de Fochem

domingo, 24 de maio de 2009

05 - REFLEXÕES * O Pensamento do Homem

Nunca o ano foi ruim por haver fartura
Pois é, a safra será sempre boa quando corresponde em quantidade e qualidade ao esforço-objectivo da sementeira? Ou convirá determinar o que é uma boa sementeira e também uma boa safra?
Diz a sabedoria dos povos que «quem semeia ventos, colhe tempestades». Posto isto, facilmente se entende que semear ventos não corresponderá a uma boa sementeira; logo colher tempestades, ainda que fartas, também não constituirá uma boa safra.
A memória dos homens regista os malefícios dessas muitas e muitas sementeiras e muitas e muitas safras envenenadas. E, apesar disso, as sementeiras e correspondentes safras continuam, para nossa desgraça.
Recentemente, falando com um amigo, dizia-me ele que essa história das ideologias já não conta. Tentei, em vão, recordar-lhe que o Pensamento do Homem determinou as correntes de opinião e delas decorrem as diversas respostas aos problemas, constituindo uma riqueza colectiva a nunca desprezar. Manteve a sua opinião.
Sabendo todos nós que, em democracia, das correntes de opinião resultaram os partidos políticos, concluiremos que que aquela posição do meu amigo é a negação das correntes de opinião enquanto tal responsáveis e responsabilizáveis.
Não quero nem posso acreditar na falência do Pensamento do Homem, mas sei que a opinião que divulgo aqui é subscrita por muitas pessoas, numa evidente condenação dos partidos políticos que nem sempre respeitarão como é seu dever os ideários de que se reclamam. E da falência do Pensamento do Homem ao ressurgir do homem-salvador vai um passo. E a História aí está a dar-nos conta desses homens-deuses e dos rosários de amarguras que provocaram.
Até sempre!

Gabriel de Fochem

segunda-feira, 11 de maio de 2009

05 - REFLEXÕES * «Abaixo a distracção!»


Através dos meios ditos de comunicação social, chegam, ao meu «monte», notícias e mais notícias e comentários e mais comentários às mesmas notícias.
É uma fartura de «louvar a Deus»!
Da política ao futebol, dos pimbas da música aos da banca, que sei eu!...
Vivemos este tempo que tudo nivelou por baixo, tão por baixo que se compraz em enveredar por subterrâneos.
Por vezes, parece que os vários tempos do Tempo se assemelham às consabidas três fases dos impérios: ascensão, apogeu e queda.
Como toda gente, herdei o saber do tempo dos meus pais e avós. E com essa riqueza de saber, preparei-me como pude para enfrentar o meu tempo e dele perspectivar o tempo futuro. E é aqui que as dificuldades surgem, neste preciso momento em que este hoje é de angústia e o amanhã é uma aflitiva incógnita.
Ensinaram-me a respeitar valores então considerados de todos os tempos. Ora esses valores, hoje, estão a ser questionados na prática quotidiana.
Bem sei que estão sempre em mudança os tempos e as vontades, mas evolução e degradação têm significados diferentes e provocam também situações diferentes. E também sei que a evolução e a degradação não aparecem por geração espontânea.
Exactamente por tudo isto, daqui do meu «monte», eu grito:
«Abaixo a distracção!»
Antes que seja tarde de mais...

Gabriel de Fochem

sexta-feira, 8 de maio de 2009

05 - REFLEXÕES * A «pureza»


Dizia-me um velho e querido Amigo, falecido há muitos anos, que a perenidade do Estado Novo trouxera uma única vantagem: a de testar a resistência dos seus opositores. A idade traz consigo o tal saber de experiência feito. E se os tempos são outros, agora, semelhantes serão na sua acção de testar a resistência.


Aquando da queda da ditadura, eram mais as lapelas do que os cravos. Só que, como muito bem disse um velho resistente, «Nem todos os que estão, são; nem todos os que são, estão.»


Muito se comentam os «desvios» do PREC. E que fizeram os arautos da «pureza» dos Ideais de Abril? O 25 de Novembro de 1975!


Hoje, trinta e três anos passados à sombra tutelar do 25 de Novembro de 1975, a «pureza» dos Ideais de Abril aí está! E estará para durar, posto que, no agudizar da situação actual, tudo indica serem os responsáveis pelo descalabro quem irá reparar o dano.


Nesta insólita situação, pergunto-me se o meu país é um balão de ensaio onde uns quantos aprendizes de feiticeiros se comprazem em experimentar tropelias de mau gosto.


Até sempre!

Gabriel de Fochem

quinta-feira, 23 de abril de 2009

05 - REFLEXÕES * Os insubstituíveis - 3

O meu texto «Os insubstituíveis - 1» mereceu o comentário que transcrevo, na íntegra:

astracan disse...
Desde há algum tempo para cá, uns anos, que cada vez me é mais difícil... votar.Exactamente pelas razões que aqui são apresentadas. Nem os partidos me oferecem algo de substancial, consistente e/ou credível, nem os "independentes" o são realmente e, sendo-o, exige-me o número de anos que passarem desde o meu nascimento, e o que vi durante essa passagem, não acreditar que político "independente" à partida o seja durante o mandato e, muito menos, no fim. A política, quer seja "independente" ou partidária, serve na esmagadora maioria dos casos(e não digo na totalidade para deixar uma réstea de esperança no ar)os políticos, eles mesmos, seus familiares, amigos e "companheiros"(poderia dizer cúmplices) de partido. E o que mais dói é que, este "estado de coisas", dá-se de uma ponta à outra do leque partidário. Como isto se resolve? Não sei...
21 de Abril de 2009 23:21


O meu leitor, que preferiu assinar o seu comentário com o pseudónimo "astracan", releva uma situação comum - a de desencanto pelos cidadãos eleitos para a administração da res publica.

É uma situação deveras preocupante. Quem viveu, como eu vivi, os anos da mordaça e sonhou com a legitimidade democrática, sente este desencanto. E quem não viveu os tempos da ditadura, escapando-lhe, portanto, o termo de comparação vivido dia a dia, é possível que se interrogue sobre a bondade desta democracia que é a nossa. E muito de negativo encontrará para servir de base de sustentação à sua interrogação.

Um dado adquirido é, evidentemente, a possibilidade de todos nós elegermos os nossos representantes nos diversos patamares do Poder. Hoje, sem dúvida, elegemos: o Presidente da República; os Deputados da Assembleia da República, e desta eleição deriva o Governo do País; os Deputados ao Parlamento Europeu; e os autarcas.

Perante esta evidência de poder ao dispor do eleitorado, qualquer insatisfação ou mal-estar terá de resultar da sua inadequada escolha. E esta sempre passível de reparação no acto eleitoral subsequente.

E se ao eleitorado se colocar a questão outra de todos os candidatos lhe não merecerem credibilidade, será sempre de relevar a possibilidade de, no seio partidário, fazer valer a sua vontade de mudança.

Em boa verdade, o sistema democrático sobreleva todos os demais exactamente porque assenta na vontade de todos os cidadãos. São eles que elegem, logo não poderão eximir-se às responsabilidades da sua decisão.

Até sempre!

Gabriel de Fochem

quarta-feira, 22 de abril de 2009

05 - REFLEXÕES * Os insubstituíveis - 2

Diz o velho rifão que «os cemitérios estão cheios de insubstituíveis».

Vem esta citação a propósito de frases feitas por acções que propiciam situações as mais absurdas. Vejamos o porquê do que digo:

Qualquer pessoa minimamente informada sabe que os partidos políticos têm estruturas dirigentes, a nível nacional, regional, distrital, concelhio e de freguesia. E a essas estruturas dirigentes ascendem, em teoria, pelo menos, os indivíduos considerados mais capazes de respeitarem e fazerem respeitar as propostas políticas que emanam da ideologia de que se reclamam. Daqui se infere que os candidatos a quaisquer actos eleitorais deverão ser encontrados nas respectivas estruturas. E assim se honrará a credibilidade do partido político enquanto tal. Agir de modo diverso é encontrar, de empréstimo, a credibilidade que não tem quanto baste para tentar alcançar os objectivos pretendidos junto do eleitorado.

E foi intencionalmente que disse ascenderem, em teoria, os mais capazes às estruturas dirigentes. Ora, pois, todos sabemos haver, aqui e ali, intenções outras, que determinam a designação de elementos menos capazes. E este nepotismo ou compadrio provoca as tais situações de ascensão de insubstituíveis exactamente porque, viciada a norma, dificilmente haverá uma possibilidade de escolha razoavelmente qualitativa. E aqui temos uma situação artificial originando um facto consumado.

Claro que Maquiavel se rirá no túmulo destes aprendizes de feiticeiro, mas eles vão sobrevivendo, essa é que é essa! E descredibilizando os partidos políticos de que se servem, também.


É triste? Pois é! Mas é o que temos, para nossa vergonha enquanto cidadãos.


Gabriel de Fochem

sexta-feira, 17 de abril de 2009

05 - REFLEXÕES * Os insubstituíveis - 1


O afã de algumas pretensas mentes iluminadas na descoberta de candidatos que o eleitorado tenha por credíveis. Até seria ponderável tal afã se os candidatos se representassem a si mesmos, o que, como sabemos, não é verdade. Todos os candidatos, ainda os que se apresentem rotulados de independentes, agem conforme ditames político-ideológicos. E a bandeira, através do simbolo que a força político-partidária utiliza no boletim de voto, lá está denunciando essa tal independência.
Abro aqui um parentesis para as candidaturas autónomas, só possíveis, que eu saiba, nas eleições autárquicas. Todavia, estas, ainda que autónomas, terão necessariamente uma subordinação de pensamento afim de qualquer uma das ideologias presentes no panorama político-partidário. Fechado o parentesis e regressando ao afã das mentes iluminadas de que vinha falando, este configura a demissão de um partido político enquanto tal, porque não reclama a sua credibilidade perante o eleitorado, preferindo a credibilidade do candidato que apresenta.
Aqui chegado, pergunto-me: como entender um partido político que se socorre da credibilidade de um candidato para tentar alcançar a preferência do eleitorado? E como irá o eleitorado entender um partido político que assim menoriza a sua própria credibilidade?
Este assunto "tem pano para mangas". Voltarei a ele.
Até breve!
Gabriel de Fochem

terça-feira, 10 de março de 2009

05 - REFLEXÕES * As candidaturas


Estão chegando ao meu monte notícias das movimentações que sempre ocorrem em anos de eleições. Ficaria contente se tais movimentações me garantissem a interrupção na mudança e não a continuidade no desencanto.


Também não me sossega o afã na apresentação de nomes mais ou menos sonantes; preferiria que fossem apresentadas propostas programáticas na perspectiva sustentada de alteração da monotonia instalada. E prevenindo interpretações indesejáveis, clarifico: as correntes de opinião política são, por definição, propostas de governação que os eleitos têm o dever de executar, condição indispensável para a credibilidade daquelas mesmas correntes de opinião.


As correntes de opinião política, intervindo na coisa pública, assumem ideológica e politicamente um compromisso público; logo, os seus agentes, salvaguardando uma postura de subversão, terão de honrar aquele mesmo compromisso, motivo por que não será legítimo a qualquer eleitor presumir que um qualquer agente, se for eleito, irá desempenhar o cargo com a predisposição de incumprimento da corrente de opinião que o suporta.


No sossego do meu monte, aguardarei pelas listas completas de candidatos e pelas suas propostas programáticas. Depois, talvez me ocorra uma outra reflexão.


Até sempre!
Gabriel de Fochem

domingo, 8 de março de 2009

05 - REFLEXÕES * 8 de Março





A origem remota do Dia Internacional da Mulher estará na trágica jornada reivindicativa das operárias tecelãs, em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque. Algumas pesquisas não terão encontrado comprovação histórica do acontecimento, mas verdade ou lenda, exalça-se a luta reivindicativa da Mulher trabalhadora. A Mulher trabalhadora que também a ONU, ainda que «tarde e más horas», consagrou, em 1975, ao determinar o dia 8 de Março como o Dia Internacional da Mulher.


Evidentemente que antes e depois daquele verídico ou lendário acontecimento muitas lutas, muitas angústias e muitas ansiedades coloridas de esperança foram, são e serão o quotidiano da Humanidade.


É certo que nem sempre o Dia Internacional da Mulher foi assinalado com a dignidade que o seu estatuto de luta e reivindicação laboral exige. Até domesticamente assistimos a prendas de livros de cozinha --- ah, a eterna e falsa fada do lar! --- e convites para «beber um copo» ou ouvir música pimbalhaça. Enfim, sinais dos tempos de mediocridade que vivemos!


Daqui, a minha homenagem à Mulher que trabalha!


Bem-hajas, Mulher!


Até sempre, rumo à dignidade até hoje sempre recusada!

Gabriel de Fochem

sábado, 7 de março de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * A crise


Uma outra visão sobre a crise... texto atribuído a Mentor Muniz Neto, director de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de propaganda do Brasil, sobre a crise mundial.
"Vou fazer um slideshow para você. Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos.

Os slides se sucedem: Êxodos de populações inteiras. Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.

Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dóares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce? Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.

Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.

Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.

Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia. Bancos e investidores.

Como uma pessoa comentou, é uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar...

Se quiser, repasse, se não, o que importa? "O nosso almoço tá garantido mesmo..."
.

terça-feira, 3 de março de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * Educação Pública é coisa séria!

Silas Corrêa Leite

Enquanto se vê em todos os estados a atuação brilhante, ampla, total, irrestrita e determinada do Ministério Público, com quase todos os governos sofrendo o crivo de ações investigativas com rigor e transparência, podemos dizer que em São Paulo, por exemplo, falta uma área do Ministério Público afeta aos direitos humanos dos professores públicos.
Para começar, em São Paulo o educador ganha 30% menos que o professor do Piauí, e ninguém faz nada, ninguém critica ou investiga. Suspeito. Caso de denunciar à ONU?
Para piorar, amigos da escola não são necessariamente amigos da escola, quando não são mesmo amigos do alheio na escola, por assim dizer. Muitas ONGs têm como membros ex-secretários da Educação e afins que, quando no governo, nada fizeram, pioraram ou até quase faliram a Educação Pública. Agora, na rede privada, suspeitamente ganham dinheiro palpitando e oferecendo régios préstimos que precisam ser investigados. Estranho.
E ninguém age em favor da transparência pública na área. Depois, por incrível que possa parecer, e, considerando que a Educação Pública é coisa séria, pacotes suspeitos e regiamente pagos (só para grupos privados) são impostos para a escola pública de cima pra baixo (sem qualquer noção da clientela real ou da realidade docente), de forma pouco ou quase nada ético-democrática. Isso sacrifica sobremaneira a equipe técnico-administrativa das escolas (já defasadas nesse sentido, sem aparato de estrutura funcional), como se cada decisão de gabinete com ar-refrigerado (a vida na escola é outra coisa) fosse um doloroso “passa-moleque” no professor que, com curso superior, tendo passado por um puxado concurso avaliatório (muito mais difícil do que para delegado, por exemplo), ganha menos do que um policial que tenha mero Ensino Médio.
Aliás, São Paulo é o único estado em que professor ganha menos do que policial. Já pensou? Pois é. O professor qualificado, testado e efetivado, tem que trabalhar em duas escolas ou mais, fazer bico (para recompor o salário) de vendedor a camelô-sacoleiro em trânsito, enquanto, aqui e ali, nalguma propaganda enganosa de certo governo mais pro neoliberal do que para o ético-humanitário, tudo é uma beleza, parece que estamos em Genebra, na Suíça.
E ninguém faz nada, ninguém fala nada. Quem tem medo da Escola Pública? Todo mundo que tem gabarito e é vencedor teve um professor pela frente um dia, para ser o que é.
Mas quando o Governo Federal sabiamente aventa alta verba para a escola pública, sanguessugas e vampiros da Educação se mobilizam e querem fatias do bolo, parcela da grana – muitos deles já estiveram no poder e não resolveram nada. Como querem ter moral para fundar ONGs de becos e se meter a analistas, pesquisadores, teóricos de ocasião, donos da verdade?
Nas escolas faltam funcionários, falta suporte operacional, o professor tem que se virar para trabalhar conteúdos mesmo quando uma ou outra sala periférica mais parece uma micro-Febem; idéias estranhas são impostas de cima pra baixo; o professor é sempre surpreendido com coisas esdrúxulas ou malfeitas, sem ser consultado quando deveria ser, pois ele é melhor do que o problema; autoridades passam, boas ou más.
O servidor concursado, efetivo, sofredor, estudando ainda, fica com o peso do problema, o ônus da situação sociocultural, quando na realidade não vê lucros ou saca montagens de mudanças que na verdade não mudam nada – são apenas vernizes, aparências, que enganam e depois eventualmente servem para paradoxais horários políticos eleitorais.
Quando é que, realmente, de verdade, alguma mudança de peso democrático vai ocorrer na escola pública? Eu sou do tempo em que professor ganhava o mesmo que um juiz; hoje, professor tem que se matar para sobreviver e ainda agüentar a parte tendenciosa da mídia que, na verdade, quer cada vez mais privatarias do que humanismo de resultados.
Será que as instituições sérias, de renome, que defendem a escola pública, têm que denunciar em foro internacional o salário constrangedor e degradante dos professores de São Paulo?
Alguém já pensou em fazer uma reportagem investigativa da vida dos diretores das Escolas de São Paulo, para mostrar que eles se matam para ganhar menos do que um motorista de ônibus de São Paulo? Ser diretor de escola pública é a prova inconteste e cabal da própria violação dos direitos humanos de um profissional que carrega um problemão nas costas e ninguém faz nada, ninguém dá suporte efetivo de funcionabilidade – quando não empresas privadas à guisa de investir (e glosar o imposto de renda?) atuam nas escolas e querem o que não podem e legalmente não deveriam,.sob a ótica ético-legal. A verdade dói.
Escola Pública é coisa séria. Bônus, pacotes, infiltrações de amigos do alheio no meio escolar não compactuam com o ideário dos professores realmente comprometidos com uma educação de qualidade.
Ou mudam as falsas mudanças ou a escola pública não vai ser mudada como realmente precisa ser e deveria ser.
Quem é que vai pagar por isso?

*
Silas Correa Leite
Especialista em Educação, jornalista comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos

E-mail:
poesilas@terra.com.br
Blogue:
http://www.portas-lapsos.zip.net/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * Actualidade


A frase é curta, de facto, mas não está esquecida, para muitos. Felizmente!
E ainda dizem que o homem pertence completamente ao passado!


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado".


Karl Marx, in Das Kapital, 1867.

(Qualquer semelhança com a realidade actual não é mera coincidência!...)
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

10 - JORNAL DE PAREDE * 2009




Vivemos, para nossa desgraça, um tempo conturbado,
onde não há lugar para festanças e brindes de champanhe,
mas, exlusivamente, para uma atitude construtiva e decisiva,
conducente à inversão desta caminhada da Humanidade.

Os males estão identificados. Quem os provocou e provoca, também.

É o tempo de todas as decisões. Não agir será trair a esperança.
De nada nos valerá desejar um bom ano de 2009.
O importante será perguntarmo-nos o que fazer
para todos construirmos o 2009 do nosso contentamento.

Grande e fraterno abraço neste primeiro dia do ano de 2009.
Até sempre!

José-Augusto de Carvalho
*