terça-feira, 24 de setembro de 2013

08 - CIDADANIA * Percurso


«Sempre que ensines, ensina também a duvidar do que ensinas.»

Constantemente, a Vida nos ensina a corrigir o que tínhamos por garantido. Assim, concluímos que deveremos ter a dúvida como bússola do nosso percurso.

08 - CIDADANIA * Dois cafèzinhos

Crónica do quotidiano

Foto Internet, com a devida vénia.


Hoje, encontrei um ex-colega de profissão e amigo de longa data. Porque ambos tínhamos tempo disponível, convidei-o para beber um café numa esplanada desta Lisboa onde habitamos.

Conversámos da Vida e de peripécias dos tempos idos e actuais. É bom rever amigos e conversar. Depois, chamei o empregado e paguei. 

 Dois cafézinos --- três (3) euros. Surpreendido, perguntei o porquê do preço exagerado. O empregado, gentilmente, reconheceu o exagero e justificou-o com o preço que a Câmara Municipal cobra pela utilização do espaço público.

Partimos juntos até uma paragem do metro, onde o meu amigo teria transporte para rumar a casa.

Enquanto caminhávamos, a pé, interrogámo-nos: o Poder Local, que reconhecidamente apoiamos pela sua importância, não atentará na situação que cria? Pois, é que se o comerciante paga caro o espaço, imputá-lo-á ao consumidor. Ora porque assim é, a Câmara Municipal é directamente responsável pelo exagero que assalta a bolsa dos seus munícipes.

Evidentemente que estou atento ao rifão: Na primeira cai um qualquer; na segunda só cai quem quer. No entanto, retiro esta lição do ocorrido: terei de precaver-me, sabendo que a Câmara Municipal não protege os seus munícipes.

Dizia-se, antigamente: Não preciso de tostões, preciso é de milhões. Vale o aforismo, pois o exagero que paguei não afectará a minha bolsa. A questão que deixo aqui é a do exagero, apenas. 

Oxalá que este exagero não seja a primeira passada da tal estrada de mil léguas que sempre começa por uma passada...


José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 24 de Setembro de 2013.