quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

06 - ROMANCEIRO * Verbo de pedra




Às vezes, o silêncio esmaga
o tumulto das palavras.



É quando o verbo feito pedra
cai sobre as areias movediças dos pântanos
e sepulta o sorvedouro.

Hoje, as horas feridas gangrenaram
e os assassinos amputaram
as pétalas indefesas da rosa...

Amanhã, quando os tempos outros
calcorrearem os caminhos,
o verbo feito pedra será o padrão
da lenda da rosa dos ventos.




José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 28.12.2007

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