quinta-feira, 29 de agosto de 2013

06 - ROMANCEIRO * No Tempo, os tempos...



Um dia, irei parar. O alor do movimento
sucumbirá às mãos da inércia dos algozes.
E o tempo que foi meu, sem viço nem alento,
doído, chorará fatais apoteoses.

Não mais o florescer ao sol da primavera.
Não mais manhãs dourando o pipilar nos ninhos.
Não mais festões de Abril tecidos nesta espera,
suspensos colorindo as orlas dos caminhos.

Ah, tempo que sem tempo assim se me perfila,
à chuva, ao frio, ao sol rasgando a vida em tiras!
Ah, Vida naufragando em vagas intranquilas,
vestidas só de sal e névoas de mentiras.

E o tempo que foi meu, já velho, cedo agora.
Que  o novo tempo chegue e cumpra a sua hora!


José-Augusto de Carvalho
 28 de Agosto de 2013.
Viana * Évora * Portugal

Sem comentários: