quarta-feira, 26 de novembro de 2008

06 - ROMANCEIRO * Fadário




Sal e azar foi a comida

que existia para mim
e que depois foi mantida
na espelunca do delfim.


Depois, comi como gente,

mas foi sol de pouca dura...
E hoje não sei se sou gente
ou uma cavalgadura!


Aves, ovinos... -- que praga! --

foram mais outros azares.
De sabor a povo, a vaga
era gasosa... só ares!


E no fim da minha estrada,

quem quer por verdade, agora,
a sentença requentada
de que só mama quem chora?



José-Augusto de Carvalho

Viana * Évora * Portugal
(In baú do esquecimento)

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