domingo, 23 de outubro de 2016

02 - POESIA VIVA * Balada das chagas






Há vidas que nunca morrem. 

Ninguém as pode matar. 


São chagas do nosso corpo, 


sempre, sempre a supurar. 





Chagas que nenhum unguento 


irá conseguir sarar, 


chagas que um golpe de vento 


sempre, sempre faz sangrar. 





Chagas que são carne viva 


doendo só de as olhar, 


chagas de voz aflitiva 


e sempre, sempre a gritar. 


 


Chagas de um tempo passado 


e a nosso lado a passar, 


chagas de um tempo parado 


sempre, sempre a supurar. 





São chagas de todos nós, 


que ninguém pode calar. 


São chagas sonhando a voz 


que também sabe cantar. 




 


José-Augusto de Carvalho 
Alentejo, 23 de Outubro de 2016 
















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