segunda-feira, 19 de março de 2018

03 - O MEU RIMANCEIRO * Da barbárie...




O MEU RIMANCEIRO 

(Que viva o cordel!) 


Da barbárie... 




Atroam as trombetas e os tambores. 

Solícitos, com destemor, acorrem 

os bélicos actores: 

uns matam, outros morrem. 



Imposta a causa, agora definidos 

os trágicos efeitos: 

os insepultos corpos dos vencidos 

e o júbilo em desfile dos eleitos. 



Nas torres de menagem dos castelos 

hasteiam-se os pendões de vivas cores: 

são verdes e vermelhos e amarelos. 

Ufanos, rufam-rufam os tambores. 



A noite cai, alheia ao desvario. 

Desdobra-se um silêncio de mortalha. 

Um mocho lança um agoirento pio 

que sobre os mortos lúgubre se espalha. 



Não mais “honra aos vencidos”. 

Palavras velhas de idos estertores 

são símbolos banidos. 

Que glória aos vencedores? 



Se um justo não perdoa, mas aplica 

as normas da Justeza e da razão, 

merece punição quem edifica 

um ser e estar da vida em negação. 





José-Augusto de Carvalho 
Alentejo, 19 de Março de 2018.

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