terça-feira, 20 de março de 2018

03 - O MEU RIMANCEIRO * Maré-cheia!



O MEU RIMANCEIRO 


Maré-cheia! 

Marielle 



A noite acende as luzes da ansiedade. 

O medo tranca portas e janelas. 

O grito emudeceu das sentinelas. 

As rondas não patrulham a cidade. 



Galopam pelas ruas da cidade 

sem lei os pesadelos assassinos, 

assombração dos leitos dos meninos. 

suplício de letal impunidade. 



Sofrem e morrem sem saber por quê 

as indefesas gentes da cidade. 

Que cívico poder da Autoridade? 

E que Ordem? Que progresso? Ninguém vê? 



Por quanto tempo mais a impunidade? 

De quantas vítimas carece a Ordem 

para se impor à sanha da desordem, 

para haver paz e vida na cidade? 



Caíste agora tu, mulher e voz 

dos ofendidos todos da cidade. 

Morreu contigo o verbo da verdade! 

Sem ti, ficámos órfãos e mais sós! 



Inunda a ruas todas da cidade 

a dádiva sangrenta --- maré-cheia! 

E um povo adulto indómito semeia 

searas de amanhã e liberdade! 



Há sempre páscoa em tempo de cordeiros 

e sacrifícios velhos de impiedade. 

Que a paz floresça livre na cidade! 

Banidos sejam cruzes e madeiros! 







José-Augusto de Carvalho 

Alentejo, 20 de Março de 2018.

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