quarta-feira, 25 de maio de 2016

09 - IN MEMORIAM * Brasil







Eu soube do Brasil na minha meninice,

aqui, no meu torrão de angústias e de esperas.

A minha tia-avó, no sol das primaveras,

buscara longe o sol que vivo lhe sorrisse…



Levou só orfandade e pranto por bagagem,

Que mais, madrasta, a pátria amada lhe negou.

Menina e luto em mar de medo e de coragem,

a pátria prometida um dia desposou.



E tão constante foi, menina, o seu amor,

que, pura, deu à terra amada quanto tinha.

Há quanto tempo foi? Seja o tempo que for!



Há sangue brasileiro ainda igual ao meu,

sofrendo uma saudade ainda igual à minha

de um tempo que no tempo há muito se perdeu.





José-Augusto de Carvalho
Março de 2004
Viana*Évora*Portugal

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