segunda-feira, 5 de setembro de 2016

02 - POESIA VIVA * Cantar tem hora!






Não canto, não me apetece


nem há motivo p’ra tal.


Se a Primavera trouxesse


outra canção no bornal,


ai, aí, eu cantaria


o elogio da Poesia.






Versos raiados de cores


e de silvestres perfumes,


embriagados de amores


sem ciúmes nem queixumes.


Versos rubros de manhã


em doçuras de romã.






Todo o meu cantar tem hora:


é quando o sonho entretece


deslumbramentos de aurora


e a vida viva acontece.


Quem tem hora p’ra cantar


o tempo de mal andar?





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 4 de Setembro de 2016.

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