domingo, 4 de setembro de 2016

02 - POESIA VIVA * O embuste






Cada dia que passa o mundo é mais pequeno. 

As notícias que chegam desnudam as misérias do embuste,

do embuste que se reclama dos direitos humanos.



O embuste que avilta a dignidade dos homens,

O embuste que enlameia a honra das mulheres,

O embuste que assassina a inocência das crianças,

O embuste que disputa os despojos da infâmia que gera.



O embuste que, em frenético leilão,

Compra e vende consciências.



O embuste que clama pelo fim dos tempos:

É preciso vender!

É urgente vender!

É inadiável vender

As manhãs orvalhadas de vida,

As noites enamoradas dos rouxinóis,

O mar salgado de lágrimas dos desencontros dos amantes,

As auroras da esperança!



O embuste que inventou os pobres

e lava a consciência das aparências

nas águas salobras da caridadezinha e das esmolas.



O embuste que inventou a lotaria,

a lotaria que faz um rico e desespera milhões de pobres...


O embuste da palavra que anestesia os ofendidos

e tortura os sonhos da noite da servidão.


O embuste que vocifera do cimo do palanque:

É preciso calar os gritos dos humilhados!

É urgente sufocar o sangue dos revoltados!

É inadiável crucificar todos os perigosos malvados,

esses perigosos malvados que sabem conjugar

o verbo em todos os tempos!








José-Augusto de Carvalho
1 de Julho de 2013
Viana * Évora * Portu
gal

Sem comentários: