quarta-feira, 8 de junho de 2016

02 - POESIA VIVA * Os Cabos




Para os Capitães de Abril Andrade da Silva e Serafim Pinheiro
e  para todos os Homens de Abril que nos ajudaram a entrever a esperança






O Cabo Não dobrámos com denodo.

E nele levantámos o padrão,

memória do querer de um povo todo

que a medos e renúncias disse não.




O Cabo Bojador também dobrámos!

E fomos, com Pessoa, além da dor...

E foi de dor em dor que tanto ousámos

até que o mar impôs o Adamastor!...



O Cabo das Tormentas era o medo

maior, o nunca visto nem sonhado!

O Capitão do Fim, olhando o Medo,

gritou: ou morro aqui ou és dobrado!



Agora, falta o Cabo da Desgraça!

E agora? Agora, a gente ou morre ou passa!





José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 13 de Setembro de 2012.
Do livro em preparação: «Canto rebelado»

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