segunda-feira, 20 de junho de 2016

02 - POESIA VIVA * Cantares... (21)





Eu canto o dia de hoje,

que me foge

no decantar efémero das horas...



Eu canto o tempo doce

que me trouxe

o paladar silvestre das amoras.



Eu canto porque existo

e resisto

ao desencanto estéril das demoras.



Eu canto a solidão

da canção

que ouvi dolente no gemer das noras.



Eu canto as esperanças

das crianças

que de vermelho vestem as auroras.



Eu canto a liberdade

sobre a grade

da servidão onde vergado moras.



Eu canto e no meu canto

há o espanto

que marca em todo o mundo as mesmas horas.





José-Augusto de Carvalho
Alentejo, 2006.
In «Harpejos», a publicar



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