terça-feira, 11 de setembro de 2007

06 - ROMANCEIRO * O Maltês




Já fui maltês e ladrão
de quanto me foi roubado.
Meu covil foi o montado;
meu camarada, o suão.

Fui livre à minha maneira,
como um homem deve ser.
A Lei dei a conhecer
da mira da caçadeira.

Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...

José-Augusto de Carvalho
In «arestas vivas», 1980
Lisboa, 1969.

Sem comentários: